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Documentário celebra culinária sagrada do candomblé

O filme convida o público a um banquete ancestral repleto de axé, explorando desde a seleção dos ingredientes até as receitas sagradas cuidadosamente preservadas
Cena do documentário "A Jẹun Bó".

Cena do documentário "A Jẹun Bó".

— Divulgação

9 de agosto de 2025

O documentário “A Jẹun Bó” registra, pela primeira vez, mais de dois anos da riqueza da culinária e das festas do candomblé, marcando a estreia da jornalista Camila Silva WokeMi — ex-repórter da Globo e GloboNews — no cinema independente. A pré-estreia acontece no domingo (10), no Centro Cultural São Paulo (CCSP), com sessão aberta ao público.

Com um olhar intimista da diretora, que também é yawô, o filme é conduzido pelo babalorixá e antropólogo Rodney William e ambientado no terreiro Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá.

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O média-metragem convida o público a um banquete ancestral repleto de axé, explorando desde a seleção dos ingredientes até as receitas sagradas cuidadosamente preservadas. A narrativa revela o cotidiano ao redor do fogão, as preferências culinárias de cada orixá, suas festividades e oferendas ritualísticas, evidenciando a cozinha como o pilar central de uma casa de Candomblé.

“A Jẹun Bó é para quem é de axé e para quem quer conhecer um terreiro. Através do olhar sensível, responsável e didático do Pai Rodney, fizemos um registro histórico do nosso dia a dia. A ideia é representar nossa comunidade e, ao mesmo tempo, desmistificar e combater o racismo religioso por meio da informação e da educação. Queremos humanizar e registrar o que for possível das religiões de matriz africana, tradicionalmente transmitidas de forma oral, oferecendo uma perspectiva tangível dessas práticas”, define Camila.

A produção conta com uma equipe majoritariamente negra e composta por adeptos de religiões de matriz africana. Camila Silva, além de dirigir, assina a produção executiva, direção de arte, fotografia e roteiro. O filme foi realizado em parceria com a produtora Dois Neguin, responsável pela fotografia, e reúne profissionais como Swami Pimentel (montagem e finalização), Bruno Hatanaka (arte e design), e Gabriel Farias e Nando Omoronum (trilha sonora).

A consultoria ficou a cargo do babalorixá Rodney William, cuja entrevista conduz o documentário ao lado de Tatiana Paula — yawô iniciada para Oxum há cinco anos — que é uma das filhas de santo responsáveis pelo preparo das refeições sagradas dentro da casa de Candomblé.

A ideia do documentário surgiu durante a pandemia, quando Camila completou um ano de iniciada no candomblé e preparou um banquete para todos os orixás. A experiência, especialmente ao cozinhar o amalá de Xangô, a inspirou a compartilhar essas tradições com um público mais amplo. Em 2023, ao registrar pela primeira vez uma festa de Olubajé, sentiu que poderia aprofundar o registro em um projeto maior. Pouco tempo depois, a ideia saiu do papel com o apoio da Lei Paulo Gustavo.

Além da exibição no CCSP, a pré-estreia também acontecerá em Santos, com lançamento oficial em Mairiporã, em sessão aberta ao público. Após a exibição em São Paulo, o público poderá participar de uma roda de conversa com Pai Rodney William de Oxóssi, a diretora Camila Silva WokeMi e Tatiana Paula, para aprofundar o diálogo sobre a importância da culinária no Candomblé e sua relevância cultural.

Serviço
Evento: 
Pré-estreia do documentário “A Jẹun Bó”  
Data: 10 de agosto, domingo  Horário: 16h  
Local: Centro Cultural São Paulo (CCSP) | Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade, São Paulo – SP
Entrada gratuita |  Classificação livre | Acessilidade

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