A trajetória de Assata Shakur, ex-integrante do Partido dos Panteras Negras e da organização Black Liberation Army, será tema de dois novos projetos audiovisuais: um documentário e uma série roteirizada. As produções são dirigidas pelos irmãos Giselle e Stephen Bailey, da Indigo Films, e contam com autorização da filha de Shakur, Kakuya Shakur. A militante morreu em 25 de setembro, em Havana, aos 78 anos, onde vivia sob asilo político desde 1984.
Angela Davis, professora, escritora e referência internacional nos movimentos por direitos civis, integra o projeto como produtora executiva. O advogado Lennox Hinds, que atuou na defesa de Shakur, concedeu aos diretores acesso exclusivo a arquivos e documentos. A informação é do veículo estadunidense Variety.
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Os projetos também contam com apoio de Sundance, Firelight Media, Concordia Fellowship e Chicken & Egg Films, esta última responsável pelo financiamento inicial viabilizado pelo Fundo de Equidade Criativa da Netflix.
Militância à prisão
Assata Shakur, nascida Joanne Chesimard, tornou-se figura central da luta por autodeterminação da população negra nos Estados Unidos. Sua história é marcada por confronto direto e perseguição de instituições policiais e judiciais do país.
Em 2 de maio de 1973, Shakur viajava com dois integrantes da Black Liberation Army quando foram parados por policiais rodoviários de Nova Jersey por causa de um farol quebrado. Uma troca de tiros ocorreu. O policial Werner Foerster foi morto, outro ficou ferido, e um dos homens que acompanhava Shakur também morreu.
Shakur foi presa, condenada por homicídio, assalto e outros crimes em 1977, apesar de sempre afirmar inocência e denunciar perseguição política. Ela também enfrentou processos por outros assaltos e tiroteios, mas vários deles foram encerrados com absolvições ou arquivamentos.
Em novembro de 1979, integrantes da Black Liberation Army organizaram sua fuga da prisão Clinton Correctional Facility, em Nova Jersey, após tomar duas agentes penitenciárias como reféns. Shakur desapareceu e, cinco anos depois, ressurgiu em Cuba, onde recebeu asilo do governo de Fidel Castro.
Nos Estados Unidos, o FBI a incluiu na lista de terroristas mais procurados. Para seus apoiadores, ela foi alvo de criminalização por suas atividades políticas, que integravam uma luta mais ampla contra a violência racial e o encarceramento de pessoas negras.
Exílio e simbolismo político
Os diretores Giselle e Stephen Bailey definiram a história de Assata Shakur como “importante para todos os americanos”, pois “revela os poderes que nos dividem e nossa capacidade de curar”. O projeto promete reacender o debate sobre seu legado, os conflitos raciais históricos nos Estados Unidos e as complexas relações diplomáticas com Cuba.
A concessão de asilo a Shakur tornou-se símbolo da postura cubana de apoio a movimentos considerados revolucionários contra a política externa dos EUA. Para setores da esquerda internacional, Assata representou resistência; para autoridades norte-americanas, permaneceu fugitiva e símbolo de conflito político entre os países.