De 14 de outubro a 2 de novembro, nove unidades do Sesc no estado de São Paulo contarão com o Sesc Jazz 2025. O festival é um dos principais do gênero no país.
A programação da 6ª edição do evento terá shows na região metropolitana (São Paulo e Guarulhos) e no interior. Na capital, o festival terá apresentações nas unidades Pompeia, 14 Bis, Consolação, Vila Mariana e o Centro de Pesquisa e Formação. No interior, participam as unidades de Franca, São José dos Campos e Rio Preto.
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A proposta é que o festival seja também um espaço de formação, experimentação e celebração. Segundo o diretor do Sesc São Paulo, Luiz Deoclecio Massaro Galina, “o Sesc Jazz reafirma seu compromisso com a diversidade, a inovação e a valorização do jazz como linguagem viva, plural e afrodiaspórica”.
Serão 27 artistas nacionais e internacionais, escolhidos em uma curadoria que priorizou profissionais do Sul Global.
A programação inclui shows, oficinas, masterclasses, cursos e audições comentadas. Veja tudo o que vai acontecer em www.sescsp.org.br/sesc-jazz-2025/.
Memória, ancestralidade e encontros históricos
O Brasil terá destaque especial, com encontros que resgatam e celebram a história da música negra no país. Um dos momentos mais aguardados é o diálogo entre gerações dos pianistas Dom Salvador, pioneiro do samba-jazz, e Amaro Freitas, reconhecido internacionalmente pela sua abordagem contemporânea. Juntos, eles farão um show e um bate-papo sobre como transformaram o jazz brasileiro em suas respectivas épocas.
A força feminina também ecoa forte. Evinha, ex-integrante do Trio Esperança, radicada há mais de 40 anos na França e redescoberta pela nova geração via samples, se reencontra com Marcos Valle para revisitar as canções que ele compôs para ela entre os anos 1960 e 1970.
Em outra homenagem, Indiana Nomma, Rosa Marya Colin e Eliana Pittman celebram a diva do samba-jazz Leny Andrade (1943-2023).
A ancestralidade e a espiritualidade negra se farão presentes com o grupo baiano Aguidavi do Jêje, criado pelo percussionista e ogã Luizinho do Jêje.
Entre outros destaques da cena nacional está Virgínia Rodrigues revisitando seu disco de estreia, Sol Negro (1997). Além disso, em São José dos Campos, Luedji Luna e Alaíde Costa se apresentarão na turnê do projeto “Um mar pra cada um, Antes que a terra acabe”.
O mundo no Sesc: do frafra gospel ao rock do Saara
A programação internacional é um passeio pelas sonoridades da diáspora africana. Do Haiti, Moonlight Benjamin mistura os ritmos cerimoniais do vodu com blues e rock psicodélico. A cubana Aymée Nuviola mergulha no filin e no bolero da Havana dos anos 1950. A colombiana Lido Pimienta combina synthpop com influências afro-colombianas, enquanto o lendário Fruko & La Bonita inflama a pista com salsa e cumbia.
Do continente africano virá o ganês Alogte Oho, que mostra a energia do Frafra Gospel; o grupo Etran de L’Air traz o rock do Saara; e o senegalês Baaba Maal, embaixador cultural e ativista que mescla tradições da África Ocidental com eletrônica em composições que refletem sobre os desafios do continente.
Maal, cuja voz marcou a trilha de Pantera Negra, abre o festival no Sesc Pompeia.
A Europa será representada pela franco-caribenha Sélène Saint-Aimé, pelo piano da armênio Tigran Hamasyan e pela fusão de jazz e soul da britânica Bryony Jarman-Pinto.
De Chicago, coração da música negra norte-americana, chegam o percussionista Kahil El’Zabar, celebrando 50 anos de carreira, e a pianista e educadora Amina Claudine Myers, figura marcante do jazz e do gospel.
Interiorização e ocupação de espaços
Uma das marcas desta edição é a interiorização do festival, que terá programação nas unidades em São José dos Campos, Rio Preto e Franca.
“Essa iniciativa democratiza o acesso e aquece a cena cultural dessas cidades, fortalecendo o relacionamento dos artistas com o público local”, afirma o comunicado de divulgação.
A experiência do festival é ampliada por um menu gastronômico exclusivo, criado por algumas unidades para celebrar a atmosfera do jazz.
Nas artes visuais, a ilustradora convidada é a artista multidisciplinar Negana. Ela centra sua pesquisa na figura da mulher negra como “corpoterritório”, portador de memória, espiritualidade e potência. Suas obras, que entrelaçam ancestralidade e transformação, dão o tom visual desta edição.
O Sesc Jazz 2025 propõe que se conheça mais do jazz contemporâneo, em toda a sua complexidade, beleza e poder de resistência.
Serviço:
Sesc Jazz 2025
Data: De 14 de outubro a 2 de novembro de 2025
Local (unidades do Sesc): Pompeia, 14 Bis, Franca, São José dos Campos, Rio Preto, Centros de Música do Sesc Consolação, Guarulhos, Vila Mariana e Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo.
Programação completa e ingressos: www.sescsp.org.br/sesc-jazz-2025/