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Livro de fantasia entrelaça orixás com a Guerra do Paraguai

Em "Fernão e a Epopeia da Coluna dos Pretos", Edison Reis homenageia a espiritualidade e a força dos heróis esquecidos pela história brasileira
Capa do livro "Fernão e a Epopeia da Coluna dos Pretos", de Edison Reis.

Capa do livro "Fernão e a Epopeia da Coluna dos Pretos", de Edison Reis.

— Divulgação

7 de dezembro de 2025

No agreste mineiro, entre serras e rios, Fernão, um ex-escravo forjado pela dor e pela coragem, tenta reconstruir a vida após uma trajetória de fugas e conflitos. No entanto, forças espirituais o chamam de volta para ativa quando o escolhem para liderar a Coluna dos Pretos, um grupo de descendentes de africanos guiados pelos orixás rumo à Guerra do Paraguai. Na fantasia histórica “Fernão e a Epopeia da Coluna dos Pretos”, de Edison Reis, o herói descobrirá que lutar não é apenas sobre vencer o inimigo. É sobre restaurar a honra de uma nação.  

A trama inicia com o general Francisco Solano López, que, dominado por um ideal messiânico e inspirado em Napoleão Bonaparte, convoca seus mariscais para planejar a criação do Gran Paraguai e invadir o Brasil. Sua ambição, porém, é alimentada por uma influência invisível: Exu, o orixá das encruzilhadas, que o manipula como parte de um jogo cósmico para despertar Ogum, o deus da guerra, exilado há milênios.  

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Em paralelo, Dom Pedro II cria os Voluntários da Pátria, no qual milhares de negros são levados à Guerra do Paraguai, incluindo os Zuavos da Bahia, mestres do facão e da capoeira. Exu, por sua vez, convoca o quilombola Fernão a assumir o papel de “cavalo de Ogum”, ou seja, o escolhido para lutar pela libertação e dignidade de seu povo. Assim, o orixá age como estrategista e mensageiro, movimentando os dois mundos — humano e divino — para que a guerra culmine em justiça e o fim da escravidão.  

Com riqueza simbólica e histórica, Edison Reis destaca a contribuição esquecida dos afrodescendentes na Guerra do Paraguai, conferindo-lhes um protagonismo heroico e necessário, entrelaçado com a cultura dos orixás, a capoeira e a oralidade ancestral. O autor resgata ainda a força das mulheres, representadas por Zabelê e Justina, que carregam consigo a espiritualidade e a resiliência necessárias para manter as comunidades unidas em tempos de ausência e sofrimento.  

Entre os canhões da guerra e o tambor da ancestralidade, a obra revisita os horrores da guerra, mas também homenageia a espiritualidade e a força de um povo que moldou a história do Brasil com sangue, suor e fé. “O narrador não é um observador branco posterior, mas um protagonista que forja as próprias armas, carrega mito nos ombros e enfrenta ao mesmo tempo trincheiras e a ferrugem do racismo nas fileiras aliadas”, conclui o autor.  

A obra está disponível no Clube de Autores.

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