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Mais de 80% dos filmes nacionais dirigidos por negros são da última década

Levantamento mapeou produções realizadas entre 1949 e 2022; participação de diretores negros se destaca a partir de 2010
Lázaro Ramos durante as filmagens de "Medida Provisória", filme dirigido pelo ator e escritor brasileiro.

Foto: Divulgação

27 de dezembro de 2023

Entre os filmes produzidos no Brasil nos últimos anos, apenas 1.086 com duração maior que quatro minutos foram dirigidos por profissionais negros. A informação é do levantamento intitulado “Cinemateca Negra”, que mapeou de forma inédita os filmes produzidos por pessoas negras no país entre 1949 e 2022.

O estudo foi feito pelo NICHO 54, instituto que apoia a carreira de pessoas negras em posições de liderança, e coordenado por Heitor Augusto, pesquisador responsável pela concepção, organização e edição da publicação. A contagem leva em consideração longas, curtas e médias metragens dirigidos por uma ou mais pessoas negras desde a década de 1940. 

Segundo o levantamento, historicamente, existe uma baixa prevalência de filmes produzidos por pessoas negras no Brasil. Isso porque 83% de toda essa produção surgiu entre as décadas de 2010 e 2020. 

Até os anos 1960, apenas seis filmes haviam sido realizados por diretores negros. Entre 1970 e 1990, a média foi de 19 produções por década. Em 2000, o número saltou para 116, enquanto em 2010 foi para 586.

A pesquisa também analisou a distribuição de produções cinematográficas considerando o tipo de produção – curtas e longas – ao longo das décadas. Quando olhamos para o recorte de longas-metragens dirigidos por indivíduos negros, a proporção é a seguinte: 23,8% na década de 1970; 55% na década de 1980; 11,7% na década de 1990; 8,5% na década de 2000; e ligeiramente acima de 10% nas décadas de 2010 e 2020.

“Os primeiros dados revelam como o racismo impacta negativamente a produção intelectual das pessoas pretas ligadas à cena audiovisual no Brasil e mostram o possível impacto positivo das políticas afirmativas”, explica o coordenador da pesquisa Heitor Augusto.

Para ele, o ineditismo do projeto consiste, justamente, em trazer a público qual é o panorama dos últimos 80 anos olhando em termos racializados. O coordenador da pesquisa também esclarece que essa é apenas a primeira etapa do estudo, que analisou apenas posições de direção, sem se ater a outros cargos possíveis: produção, técnicos, roteiristas. 

A publicação completa será lançada em 2024 em versão impressa e bilíngue com dados ligados aos formatos das produções, identidade de gênero dos realizadores e os cargos ocupados.

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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