Um corpo que dança é também um corpo que envelhece, se transforma e amadurece como quem descasca camadas de uma cebola até chegar à sua essência mais genuína. É nesse fluxo entre pele e memória, entre as marcas da vida e a persistência do movimento, que a Áttomos Cia. de Dança celebra 25 anos de trajetória por territórios da Bahia. Em Salvador, a festa será com a temporada do espetáculo “Poesia de Um Corpo”, de 11 a 15 de setembro.
No palco, a obra abre espaço para inquietações profundas sobre o existir e suas contradições. Um tecido de danças modernas encruzilhado pelas poéticas das danças afro-brasileiras, pulsos percussivos e cortes de cenas não convencionais que convidam o público a partilhar a experiência — não como plateia distante, mas como parte da criação.
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O espetáculo encarna os orgulhos selvagens que surgem da convivência diária, revelando um mundo em que a dança se instala nos espaços comuns, nos vazios e nos gestos cotidianos.
O espetáculo, que estreou em 2012, retorna agora com um novo elenco, corpos que, como cebolas, carregam camadas de vivências, memórias e aprendizagens, oferecendo ao público uma dança madura, sensível e pulsante.
Sob a direção e coreografia de Anderson Rodrigo, que concebe a obra em conjunto com Pablo de Paula, a obra conta com assistência coreográfica de Luana Fulô e interpretação de Luana Fulô, Lukas de Jesus, Flávio Bueno, Marcus Kundesi, Laiane Carmo, Maria Diamantina, Raijane Gama e Uz Cavalcante.
A montagem se apoia na sonoplastia e edição de trilha de José Maia, e na operação de luz de Pablo de Paula e Sérgio Bezerra, compondo um espetáculo que revisita a experiência da obra original, agora atravessada por novas histórias, trajetórias e intensidades de cada intérprete.
Projeto comemorativo de 25 anos
A temporada de “Poesia de Um Corpo” integra o projeto de comemoração dos 25 anos da companhia, dirigida e coreografada por Anderson Rodrigo. A celebração teve início em agosto, com a estreia da obra “A Fuga Para Frente” em Itabuna, a ser apresentada também em outubro no Teatro Alberto Martins, em Camaçari.
Nessa obra, o ato de fugir é ressignificado como impulso de sobrevivência e reinvenção. Chapéus cenográficos surgem como metáforas das ideias impostas — autoritárias, machistas, midiáticas — das quais buscamos nos libertar, enquanto bolas que invadem o espaço cênico representam sonhos que podem tanto aprisionar quanto libertar. Saltos, giros e deslocamentos coreográficos recriam o trânsito cotidiano: acordar, sair para o trabalho, correr contra o tempo. Um gesto de dança que transforma a urgência em poesia.
Além das temporadas, o projeto comemorativo se expande em aulas abertas, oficinas de criação, bate-papos, a terceira edição da ação “Áttomos Convida” e na participação da companhia no Festival Vale Que Dança, que será realizado de 30 de outubro a 2 de novembro no Vale do Capão, na Chapada Diamantina.
Serviço
Espetáculo “Poesia de Um Corpo”
Data: 11 a 15 de setembro de 2025 – Quinta, Sexta e Sábado e Segunda, às 19:30; e Domingo, às 17h
Local: Espaço Xisto Bahia – R. General Labatut, 27, Barris, Salvador – BA
Entrada: Gratuita
Acessibilidade: Sessão com audiodescrição no dia 12/09