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Tadáskía: artista transforma mistério e liberdade em arte que atravessa fronteiras

Multiartista carioca une experimentação, ancestralidade e espiritualidade em obras que atravessam fronteiras e dialogam com o desconhecido
A artista Tadáskía.

A artista Tadáskía.

— Reprodução/Caroline Lima

5 de outubro de 2025

A artista Tadáskía se define como uma “cidadã do mundo”. Reconhecida em instituições de renome, como o Museu de Arte Moderna (MoMa), de Nova Iorque, e a Bienal de São Paulo, a carioca reinventa modos de sentir, imaginar e ocupar o espaço.

Licenciada em Artes Visuais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tadáskía foi a primeira mulher trans brasileira a expor no MoMa, considerado um dos maiores museus internacionais de arte. 

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Reprodução/Caroline Lima

O contato com a arte veio ainda na infância, em Santíssimo, na zona oeste do Rio. O fascínio pelas plantas, pelo céu e pela espiritualidade impulsionaram seus primeiros desenhos e guiaram o contato da artista com o desconhecido. 

Em entrevista à Alma Preta, Tadáskía explica o universo de suas experimentações e como se relaciona com a busca por novas percepções da negritude. A arte, para ela, possibilita vislumbrar horizontes além das mazelas do cotidiano. 

“Eu quero vislumbrar essas outras narrativas, que nos levam para uma nova percepção. Não só como uma pessoa negra, mas como uma pessoa no mundo. O conhecido passa por muito sofrimento às vezes, mas o sofrimento não pode ser essa marca forte que atravessa, principalmente, a história da população negra, trans, das mulheres, enfim, das pessoas indígenas e entre outras populações”, explica.

Desde 2022, Tadáskía tem vivido entre países, acumulando vivências artísticas, idiomas e inspirações. Suas movimentações resultaram em mostras nos Estados Unidos, Europa e América Latina. No Brasil, ela esteve na 35ª Bienal de São Paulo, com a exposição “Coreografias do impossível”, em 2023. 

Lacraia tears, 2024. Reprodução/Eduardo Ortega

No dia 30 de setembro, a artista plástica foi listada na edição 2025 da TIME100Next, iniciativa da revista norte-americana Time que destaca personalidades consideradas influentes e em ascensão em diferentes áreas.

“Acho que estou aprendendo, em relação ao meu trabalho artístico, que gosto muito de deixar aberta a leitura e interpretação das minhas obras. O que as pessoas veem no meu trabalho, eu sempre fico muito animada, porque é sempre diferente”.

Entre frutas, legumes, carvão, tecidos e tintas, suas obras desconstroem a rigidez do permanente e apresentam a beleza na efemeridade. Inspirada por mulheres de sua família e por autoras como Audre Lorde, Tadáskía diz estar aprendendo a abraçar sua estranheza.

“Durante muito tempo eu fui considerada estranha. Agora, quando você abraça, você também abraça o mistério. Existem muitas maravilhas na vida também, assim. Não as que o mundo te dá. Mas as que você mesma consegue perceber”, compartilha.

Ao analisar sua trajetória, a artista destaca que suas conquistas se atrelam aos passos dados pelas mulheres negras e periféricas que vieram antes. Suas experiências, descritas como sonhos, se conectam com as lutas pela equidade.

Mudada casca de cor II, 2024. Reprodução/Eduardo Ortega

Tadáskía  acredita que suas obras podem ocupar o espaço de luta com a mesma leveza em que se apresenta nos espaços de “brincadeiras”. A arte que desconstrói, para ela, pode transitar entre conhecido e o desconhecido, da mesma forma em que a capoeira pode ser, ao mesmo tempo, uma brincadeira ou uma luta. 

“Tem um pouco dessa ambiguidade, sabe? De estar brincando com os outros lados, estar entre uma coisa e outra. A brincadeira também pode ser uma espécie de luta, só que a partir de outra perspectiva”. 

Mais do que ocupar instituições renomadas, Tadáskía constrói práticas que deslocam o olhar sobre a negritude e convidam à imaginação de novos mundos. Seu percurso celebra o prazer, a espiritualidade e a possibilidade de deixar as “armaduras” de lado para brincar, criar e existir com leveza.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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