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Em ano eleitoral, Xirê na Paulista invoca Xangô e reafirma que “a justiça se faz em roda”

A 4ª edição dessa manifestação cultural antirracista ocupa o vão livre do MASP neste domingo (5). O objetivo é denunciar o racismo religioso e fortalecer a organização política da juventude de terreiro.
Foto: Olhar de Oyá

O Xirê na Paulista se define como uma manifestação social, cultural e política antirracista protagonizada pela juventude das comunidades tradicionais de matriz africana.

— Foto: Olhar de Oyá

3 de julho de 2026

Neste domingo (5), a partir das 11h, a Avenida Paulista volta a ser ocupada pela força ancestral, cultural e política das comunidades de matriz africana. Em frente ao vão livre do MASP, o Xirê na Paulista chega à sua 4ª edição com o tema “Xangô e os Obás: a justiça se faz em roda”.

O Xirê na Paulista se define como uma manifestação social, cultural e política antirracista protagonizada pela juventude das comunidades tradicionais de matriz africana. A proposta é ocupar o espaço público como forma de resistência e de valorização das tradições.

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Trazer Xangô, o orixá senhor da justiça, em um ano eleitoral não é acaso. Segundo a organização, a escolha está diretamente ligada ao momento político do país

“É de extrema importância. É fundamental trazer Xangô como esse rei que se reconhece, para que a gente também, enquanto povos de terreiro, possa se reconhecer como a potência que somos, de fato”, afirma a diretora e fundadora do movimento, Ekeji Geovana de Yemojá.

Para Geovana, o tema deste ano também é um chamado à unidade e um alerta contra a instrumentalização das religiões de terreiro, sobretudo em período eleitoral.

“Precisamos ter a consciência de dar a voz a quem, de fato, nos trará resultados e nos reconhecerá como a potência que nós somos. Não vamos nos deixar ser usados por quem chega, nos dá migalhas e, no fim, esquece quem nós somos”, diz, ao apontar a necessidade de unidade na luta contra o racismo religioso.

Um espaço de resistência e consciência

A edição de 2026 aposta no fortalecimento da participação da juventude de terreiro, que, segundo a organização, tem contribuído ativamente para a construção do evento.

Voltado aos povos e comunidades de matriz africana — candomblé, umbanda, quimbanda e demais tradições —, o encontro tem registrado crescimento contínuo de engajamento entre os mais jovens.

Assim como no ano passado, o Xirê acontece em parceria com a Ocupação Cultural Jeholu e conta com o apoio institucional da Fundação Tide Setubal.

O evento é organizado por um conselho diretivo formado por Geovana Fagundes, Bruno Uchôa, Fabiana Rodrigues, Felipe Brito, Alexandra Adú e Cristiane Natachi.

Programação

A concentração começa às 10h, na estação Consolação, e o cortejo segue até o vão livre do MASP. A programação vai das 11h às 15h e reúne:

  • Cortejo dos Obás
  • Bloco Ilú Ara
  • Afoxé Ile Omo Dada
  • Xirê — cânticos sagrados
  • Orquestra Juventude Xirê
  • Samba Orun Ayê

Serviço

Xirê na Paulista 2026 — “Xangô e os Obás: a justiça se faz em roda”
Data: domingo, 5 de julho de 2026
Concentração: 10h, na estação Consolação
Horário: das 11h às 15h
Local: vão livre do MASP — Av. Paulista, 1578, São Paulo (SP)
Entrada gratuita

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