A ativista climática Txai Suruí, do povo Paiter Suruí, denunciou a falta de representatividade indígena nos espaços de decisão da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), que acontece em Belém (PA).
Ela participou da Plenária Mundial das Juventudes da COP30, realizada na terça-feira (11), segundo dia do evento da Organização das Nações Unidas (ONU) em Belém. Entre os presentes estavam a primeira-dama Janja Lula da Silva e os ministros Marina Silva, Márcia Lopes, Anielle Franco, Guilherme Boulos e Margareth Menezes.
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Embora o governo federal tenha anunciado uma participação recorde de lideranças indígenas, Txai afirmou que grande parte delas segue sem acesso às áreas onde as negociações oficiais são realizadas.
Segundo o governo, indígenas de nove países da Bacia Amazônica participam da conferência, somando cerca de 1,6 mil lideranças. No entanto, o número de credenciais para a Blue Zone, área restrita sob controle da ONU, onde ocorrem as negociações, não foi detalhado.
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) havia estimado que 900 indígenas estariam credenciados, número superior aos cerca de 350 participantes da edição anterior, realizada em Dubai.
Apesar do avanço, Txai Suruí afirma que a exclusão permanece. “Hoje a gente tem aqui a maior delegação indígena da história das COPs. Mas a maioria das pessoas que estão aqui pra trazer suas vozes, sua realidade, sua luta, não tem credencial pra entrar no espaço oficial”, criticou.
“As COPs ainda são espaços que excluem. Se fosse uma reunião na aldeia, ninguém ficaria de fora. Todo mundo teria o direito de participar, e aqui não deveria ser diferente”.
Indígenas deveriam ter prioridade, diz ativista
Conselheira-jovem do secretário-geral da ONU sobre mudanças climáticas e fundadora do Movimento da Juventude Indígena de Rondônia, Txai destacou que os povos da Amazônia, de Belém e da floresta deveriam ser prioridade nas discussões sobre o futuro climático do planeta.
“A gente precisa levar a voz que ainda está distante da mesa de decisão para dentro desses espaços oficiais da COP, onde estão decidindo sobre o nosso futuro”, afirmou.
A ativista participou de reuniões com jovens negociadores internacionais para compartilhar o contexto amazônico, marcado pela violência e pelo racismo ambiental.
“Não há justiça climática sem justiça social”, defendeu. “Enquanto estamos aqui, o povo indígena continua sofrendo genocídio, como os Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, e os Pataxó, na Bahia. Muitos colocam a vida em risco e nem sequer têm oportunidade de estar nesses espaços”.
Txai também cobrou que o financiamento climático chegue às bases, especialmente às comunidades indígenas e periféricas que enfrentam diariamente os impactos da crise ambiental.
“Nossa juventude vive sob imenso racismo ambiental, das cidades às aldeias. Queremos que os recursos cheguem a quem protege as florestas e luta pelas vidas”, disse.
Reivindicações
Entre as principais reivindicações apresentadas, Txai destacou a demarcação de todos os territórios indígenas como uma das soluções centrais para enfrentar as emergências climáticas.
“Mais do que reconhecimento, é preciso ação. Demarcar e proteger os territórios é garantir a floresta em pé”, afirmou.
Ela também alertou para os riscos de grandes empreendimentos e da exploração de petróleo na foz do Amazonas, que classificou como “projetos de morte”.
“Não dá mais pra aceitar a exploração de petróleo na foz. Precisamos de uma transição justa, que não destrua nossos territórios nem nossas vidas.”
Txai encerrou lembrando que o Brasil é o segundo país que mais mata defensores ambientais e de direitos humanos no mundo, sendo que metade das vítimas são indígenas.
“Garantir a vida dessas pessoas é garantir a floresta viva. Sem justiça para os povos indígenas, não haverá justiça climática.”