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Comissão aprova política de saúde para população negra em Santa Catarina

Projeto cria diretrizes para ampliar o acesso da população negra ao SUS e combater o racismo institucional nos serviços públicos de saúde
Um médico negro com uma paciente negra.

Um médico negro com uma paciente negra.

— Reprodução/Freepik

15 de julho de 2026

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou, nesta terça-feira (14), o Projeto de Lei (PL) 497/2024, que institui a Política Estadual de Saúde Integral da População Negra (PESIPN). A proposta estabelece diretrizes para ampliar o acesso da população negra aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e enfrentar o racismo institucional na rede pública estadual.

O projeto tem como objetivo garantir atendimento universal, humanizado e qualificado nos serviços de prevenção, diagnóstico, tratamento e promoção da saúde. A iniciativa também busca reduzir desigualdades étnico-raciais que afetam os indicadores de saúde da população negra.

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Segundo o texto do projeto, a política pretende promover a saúde integral da população negra, com prioridade para a redução das desigualdades raciais, o combate ao racismo, à intolerância religiosa e à discriminação nas instituições e nos serviços de saúde. 

O texto também reconhece o racismo e as desigualdades étnico-raciais como determinantes sociais das condições de saúde da população.

O projeto estabelece que a Política Estadual de Saúde Integral da População Negra será orientada por princípios como o respeito à dignidade da pessoa humana, o combate ao racismo e à discriminação e a garantia dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), entre eles a universalidade, a integralidade e a equidade.

Leia mais: Projeto de lei propõe medidas contra racismo estrutural na educação, cultura e saúde

Entre as diretrizes previstas estão a promoção da equidade no acesso aos serviços de saúde, o enfrentamento do racismo institucional, a qualificação permanente dos profissionais do SUS para o atendimento da população negra e a ampliação da produção de dados sobre desigualdades raciais em saúde. 

A proposta também prevê ações voltadas à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de doenças que atingem com maior frequência a população negra, além do fortalecimento da participação da sociedade civil na formulação e no acompanhamento dessas políticas públicas.

O texto ainda determina que o poder público promova a articulação entre diferentes áreas da administração para enfrentar fatores sociais que afetam as condições de saúde da população negra e incentive a realização de pesquisas que subsidiem políticas públicas voltadas à redução das desigualdades raciais no estado.

Por que a política é necessária

O projeto de lei justifica a iniciativa com base em dados que evidenciam as desigualdades em saúde. Segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de 2023, a população negra no Brasil apresenta os piores indicadores de saúde. Doenças como a doença falciforme, diabetes mellitus tipo II e hipertensão arterial têm maior prevalência entre pessoas negras.

A justificativa do projeto também destaca a dificuldade de implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) no país. Dados do IBGE mostram que apenas 12,3% dos municípios brasileiros mantiveram ações da política entre 2018 e 2021. 

O texto afirma que a falta de incentivos, monitoramento e recursos, somada à baixa adesão dos municípios, dificulta a implementação de ações concretas.

Leia mais: Fiocruz cria observatório para monitorar saúde da população negra no Brasil

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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