A presidenta do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ivana Bentes, afirmou que não há desenvolvimento sustentável sem a promoção da igualdade étnico-racial. A declaração ocorreu durante sua participação em missão oficial do Brasil no Chile, onde discutiu políticas de inclusão e combate às desigualdades raciais na América Latina.
A visita teve como objetivo fortalecer a cooperação entre os países em políticas públicas voltadas à equidade racial. Durante os encontros, representantes do Ipea e de instituições chilenas trocaram experiências sobre iniciativas de promoção da igualdade de oportunidades e combate ao racismo estrutural.
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Desigualdades estruturais persistem
Em sua apresentação, Servo apresentou dados que revelam a profundidade das disparidades raciais no Brasil. A população negra enfrenta índices de pobreza extrema mais que dobrados em relação à população branca.
No campo educacional, as diferenças são marcantes: enquanto 70,5% dos jovens brancos completam o ensino médio, apenas 56,3% dos negros alcançam esse patamar. No ensino superior, a distância se amplia – apenas 10,8% da população negra possui diploma universitário, contra 26,4% dos brancos.
Os números da violência mostram um quadro ainda mais grave. Em 2021, 78,5% das vítimas de homicídio no país eram pessoas negras. Embora a taxa geral de assassinatos tenha caído 9,4% na última década, a redução entre a população negra foi de apenas 3,7%, evidenciando a persistência do que a presidenta do Ipea classificou como “genocídio de jovens negros“.
Brasil propõe ODS específico para equidade racial
Diante desse cenário, o governo brasileiro trabalha na proposta de um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável adicional – o ODS 18 – especificamente voltado para reduzir as desigualdades raciais. A iniciativa é coordenada por uma câmara temática da Comissão Nacional para os ODS, que conta com a participação do Ipea e do Ministério da Igualdade Racial.
“O racismo estrutural exige respostas estruturais. Não podemos tratar a questão racial como um tema lateral no desenvolvimento sustentável, mas sim como seu eixo central”, afirmou Servo durante o evento, conforme publicou o Ipea.
Monitoramento mostra desafios
Os dados apresentados revelam os obstáculos para cumprir a Agenda 2030 no Brasil. Das 169 metas estabelecidas, apenas 14 apresentam bom desempenho, enquanto 35 mostram evolução, 26 estão estagnadas e 23 retrocederam. Outras 71 metas carecem de informações sistemáticas para avaliação.
A presidenta do Ipea destacou a importância de melhorar a produção de dados qualificados para orientar políticas públicas eficazes. “Precisamos de informações precisas e desagregadas por raça para combater as desigualdades de forma direcionada”, afirmou, citando o trabalho do instituto no monitoramento dos ODS.