A Solvay-Rhodia, empresa do setor químico, é uma das companhias que compõem a iniciativa da indústria brasileira de apresentar projetos sustentáveis para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30).
Conhecida antigamente apenas como Rhodia, a companhia despejou produtos químicos de maneira clandestina em São Vicente, Cubatão e Itanhaém. Como desdobramento do caso, a Justiça paulista acatou pedido do Ministério Público de São Paulo para fechar a fábrica em 1993, em Cubatão.
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Atualmente, a Solvay-Rhodia preside o grupo de trabalho de transição energética da iniciativa da indústria brasileira para a COP30. No dia 16 de outubro, a companhia entregou um relatório para o governo brasileiro.
“Acreditamos que, mesmo em setores difíceis de descarbonizar, um progresso significativo é possível e necessário. Através de nosso papel na COP30, buscamos apoiar o alinhamento global na ação climática industrial, encorajar a colaboração do ecossistema entre os setores público e privado e demonstrar a viabilidade de soluções de baixo carbono em indústrias complexas”, contou para o site da Rhodia, a presidente empresa para a América Latina, Daniela Manique. Ela é a representante da empresa no grupo de trabalho.
Histórico
As estimativas apontam que, entre 1974 e 1993, a empresa lançou 20 mil toneladas de resíduos tóxicos no meio ambiente. Ainda devem existir 33 mil toneladas de solo contaminado na região.
Até 1976, resíduos tóxicos da empresa eram enterrados no morro perto da fábrica em Cubatão. A partir de 1977, os lixos passaram a ser descartados a céu aberto.
As primeiras denúncias de trabalhadores contaminados aconteceram em 1978, e com a expansão de bairros populares na região, moradores passaram a denunciar casos de intoxicação para a imprensa. As informações são do Mapa de Conflitos – Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil.
A Rhodia se instalou no Brasil em 1921, em Santo André (SP), e produzia produtos químicos, como o ácido sulfúrico. A instalação da empresa em Cubatão e o crime ambiental na cidade não estão nas informações do histórico da empresa no seu site oficial.

Incidência da indústria na agenda ambiental
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou no dia 17 de abril de 2025, em São Paulo, a iniciativa Sustainable Business (SB), que em português significa “Negócios Sustentáveis”.
Presidida por Paul Polman, representante da Unilever, a proposta tem a meta de fortalecer a inovação “das empresas, seu capital e seus recursos humanos que vão liderar essa transição”, disse ele para o site da Agência de Notícias da Indústria.
Durante a atividade, executivos das empresas apresentaram os eixos de trabalho de cada uma das áreas. Daniela Manique, da Solvay-Rhodia, ficou responsável pela área de Transição Energética. Ela ainda tem a missão de estimular o desenvolvimento e a adoção de combustíveis sustentáveis.
O setor tem o objetivo de “acelerar o uso de fontes renováveis, com mecanismos de redução de riscos, apoio à infraestrutura de redes e adoção de armazenamento de energia (como baterias BESS), além de promover fontes de energia de baixo carbono e baseadas em biomassa, com critérios claros de sustentabilidade”, segundo a empresária.

Rhodia acumula infrações ambientais recentes
Para além do histórico em Cubatão, a Rhodia acumula multas pelo Ibama. Em agosto de 2021, a empresa foi penalizada por carregar 30 toneladas de ácido acético em desacordo com a lei brasileira. A Rhodia fez o transporte desse material descrito como “perigoso” com o “mínimo de segurança em desconformidade a norma”.
O caso aconteceu em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, e a multa foi de R$ 6,5 mil.
Para o Ibama, mesmo que nenhum desastre tenha acontecido, a companhia transportou o material sem equipamentos suficientes para impedir danos ambientais em caso de um acidente.
Em Campinas, no interior de São Paulo, a Rhodia recebeu uma multa de R$ 9 mil em março de 2018 por conta do depósito de cargas abandonadas no Aeroporto de Viracopos.
Em abril de 2015 e dezembro de 2017, duas outras infrações no Aeroporto de Viracopos, cada uma no valor de R$ 9 mil. O motivo foi a falta de cadastro da empresa nas bases de informações federais.
Outro lado
Depois de a Alma Preta questionar a CNI sobre os critérios adotados para admitir companhias na iniciativa, a organização afirmou:
“A participação das empresas nas atividades da SB COP baseia-se em seu comprometimento público com a sustentabilidade e com a transição para uma economia de baixo carbono, em linha com as diretrizes globais de descarbonização. Cada temática (como transição energética, economia circular e bioeconomia) é coordenada por representantes de diferentes setores, com experiência técnica em suas respectivas áreas”.
A Rhodia, por outro lado, não respondeu sobre os impactos ambientais causados em Cubatão ou sobre as infrações ambientais mais recentes da empresa.
Em nota, a companhia afirmou que “a participação da Rhodia na SB COP 30 reflete seu compromisso com o avanço de soluções climáticas por meio da colaboração. Como líder do Grupo de Trabalho de Transição Energética, a Rhodia atua ao lado de empresas globais para desenvolver recomendações práticas que acelerem a descarbonização em setores de difícil abatimento”.