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Palestina mostra que não se pode confundir a reação do oprimido com violência do opressor

O povo palestino se tornou exilado em seu próprio território. Israel comete crimes contra a humanidade em nome de uma pretensa reação ao ataque do Hamas
Imagem mostra homem que aparenta estar desesperado em meio à cenário de destruição na Palestina.

Foto: Mohammed Abed/AFP

19 de outubro de 2023

Por: Regina Lúcia dos Santos*

A violência na Palestina é uma questão que remonta a criação do estado de Israel, em 1948, em um território ocupado pelo povo palestino secularmente. Para se estabelecer como estado, Israel iniciou um processo higienista de limpeza étnica na Palestina com diversos massacres desde a década de 1940 e que se tornaram mais conhecidos pelo mundo a partir dos anos 2000.

O povo palestino tornou-se exilado em seu próprio território, 2 milhões de pessoas vivem num espaço exíguo, que se tornou um verdadeiro campo de concentração, um cárcere a céu aberto já que Israel controla a entrada de ajuda humanitária, o fornecimento de água, luz, circulação das pessoas, numa completa alienação das condições de vida.

Estes foram os ingredientes que transformaram a região numa panela de pressão que eclodiu no ataque do último 7 de outubro pelo Hamas, grupo islâmico que governa a Faixa de Gaza desde 2007.

A partir de então Israel desencadeou uma ofensiva onde já jogou mais de 6 mil bombas sob a região, fechou a entrada por terra, ar e mar em Gaza e matou aproximadamente 2,6 mil palestinos.Ao todo, dos dois lados, mais de 4 mil pessoas já morreram no confronto, a maioria das vítimas são civis e crianças também estão entre os mortos.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o número de mortes em Gaza ultrapassou o da terceira guerra entre Israel e o Hamas, ocorrida em 2014, quando 2.251 palestinos, incluindo 1.462 civis, foram mortos.

Israel tem cometido crimes contra a humanidade em nome de uma pretensa reação ao ataque do Hamas. A mídia hegemônica no Brasil e no mundo tem sido conivente e cúmplice de Israel, contando uma história de única via nesta questão, colocando a opinião pública incondicionalmente ao lado de Israel e contra a Palestina.

E o que nós do movimento negro, a população negra e pobre do Brasil temos a ver com esta catástrofe? Infelizmente nós estamos, sem querer e sem opção, intimamente ligados a esta barbárie.

Israel é o estado, proporcionalmente, mais militarizado do mundo, fabricante de armamentos de grande porte, inclusive dos caveirões que circulam nas nossas periferias e matam nosso povo pela ação do Estado ou pela omissão. Além disso, nós população negra e pobre brasileira sofremos a mesma brutalidade da colonização que os palestinos sofrem há décadas, por isso é tão importante a solidariedade entre os povos oprimidos e colonizados no mundo todo, contra o racismo e a xenofobia, contra a ação do imperialismo em todo o mundo.

* Regina Lúcia dos Santos é coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado, em São Paulo. 

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