A vereadora Edna Sousa, conhecida como Miss Preta (PT), do município de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR), denunciou ataques racistas e ameaças de morte recebidas por meio de suas redes sociais. As mensagens, além de conter ofensas, fazem menção ao assassinato de Marielle Franco e citam a atuação de milícias. O caso foi registrado na polícia e está sob investigação.
Os primeiros ataques ocorreram no dia 11 de março, quando Miss Preta recebeu mensagens com xingamentos racistas e desumanizantes. Em 18 de março, uma nova onda de violência online trouxe ameaças explícitas.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Em um dos textos enviados à vereadora, o agressor escreveu: “Trate de renunciar seu mandato de vereadora e abandone a política ou você vai ficar furada como Marielle. Nada no mundo vai me impedir de te matar.”
Em entrevista para a Alma Preta, Miss Preta relatou o impacto dos ataques. “Não é só um discurso de ódio. É um discurso que me ameaça diretamente, que me coloca como alvo. Eu sei o que aconteceu com Marielle e não posso ignorar esse tipo de violência”, afirmou.
Medidas de segurança e impacto na rotina
Diante das ameaças, a vereadora precisou adotar novas medidas de segurança, alterando sua rotina diária. “Eu parei de andar sozinha na rua, evito transporte público, reduzi minha agenda no gabinete. Isso tem afetado diretamente meu trabalho”, explicou.
Ela destacou que, embora tenha registrado um boletim de ocorrência e informado a Mesa Diretora da Câmara sobre os ataques, ainda não recebeu garantias de proteção. “Não existe um protocolo de segurança para parlamentares negras que sofrem ameaças. Se a gente não se protege sozinha, fica completamente vulnerável”, pontuou.
Violência política contra mulheres negras
Miss Preta ressaltou que os ataques contra seu mandato fazem parte de um contexto mais amplo de violência política de gênero e raça. “Quando uma mulher negra chega ao poder, ela não recebe só críticas. Ela recebe ameaças de morte. O que estão tentando fazer comigo é o mesmo que fizeram com Marielle: nos silenciar”, denunciou.
A vereadora também questionou a falta de responsabilização dos agressores que utilizam a internet para praticar esse tipo de crime. “As redes sociais continuam permitindo esse tipo de ataque. As plataformas precisam ter um compromisso maior no combate à violência política”, cobrou.
Cobrança por ações concretas
Miss Preta defendeu a implementação de políticas públicas que garantam a segurança de mulheres negras na política e a responsabilização dos responsáveis por crimes de ódio. “Nós estamos ocupando espaços que sempre nos foram negados. E não vamos sair. Esses ataques não vão me parar”, concluiu.
O inquérito policial segue em andamento, mas, até o momento, não há informações sobre a identificação do responsável pelos ataques.