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‘Não é só discurso de ódio’: vereadora Miss Preta denuncia ataques racistas e ameaças no Paraná

Parlamentar registrou boletim de ocorrência após série de ameaças online e exige proteção para mulheres negras na política; Em entrevista à Alma Preta, vítima conta detalhes do caso
Imagem de Miss Preta, vereadora de Pinhas, região metropolitana de Curitiba (PR), alvo de ameaças.

Imagem de Miss Preta, vereadora de Pinhas, região metropolitana de Curitiba (PR), alvo de ameaças.

— Divulgação/Mandato Miss Preta

4 de abril de 2025

A vereadora Edna Sousa, conhecida como Miss Preta (PT), do município de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR), denunciou ataques racistas e ameaças de morte recebidas por meio de suas redes sociais. As mensagens, além de conter ofensas, fazem menção ao assassinato de Marielle Franco e citam a atuação de milícias. O caso foi registrado na polícia e está sob investigação.

Os primeiros ataques ocorreram no dia 11 de março, quando Miss Preta recebeu mensagens com xingamentos racistas e desumanizantes. Em 18 de março, uma nova onda de violência online trouxe ameaças explícitas. 

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Em um dos textos enviados à vereadora, o agressor escreveu: “Trate de renunciar seu mandato de vereadora e abandone a política ou você vai ficar furada como Marielle. Nada no mundo vai me impedir de te matar.”

Uma das ofensas recebidas pela vereadora Miss Preta nas redes sociais. (Arquivo Pessoal)

Em entrevista para a Alma Preta, Miss Preta relatou o impacto dos ataques. “Não é só um discurso de ódio. É um discurso que me ameaça diretamente, que me coloca como alvo. Eu sei o que aconteceu com Marielle e não posso ignorar esse tipo de violência”, afirmou.

Medidas de segurança e impacto na rotina

Diante das ameaças, a vereadora precisou adotar novas medidas de segurança, alterando sua rotina diária. “Eu parei de andar sozinha na rua, evito transporte público, reduzi minha agenda no gabinete. Isso tem afetado diretamente meu trabalho”, explicou.

Ela destacou que, embora tenha registrado um boletim de ocorrência e informado a Mesa Diretora da Câmara sobre os ataques, ainda não recebeu garantias de proteção. “Não existe um protocolo de segurança para parlamentares negras que sofrem ameaças. Se a gente não se protege sozinha, fica completamente vulnerável”, pontuou.

Violência política contra mulheres negras

Miss Preta ressaltou que os ataques contra seu mandato fazem parte de um contexto mais amplo de violência política de gênero e raça. “Quando uma mulher negra chega ao poder, ela não recebe só críticas. Ela recebe ameaças de morte. O que estão tentando fazer comigo é o mesmo que fizeram com Marielle: nos silenciar”, denunciou.

A vereadora também questionou a falta de responsabilização dos agressores que utilizam a internet para praticar esse tipo de crime. “As redes sociais continuam permitindo esse tipo de ataque. As plataformas precisam ter um compromisso maior no combate à violência política”, cobrou.

Cobrança por ações concretas

Miss Preta defendeu a implementação de políticas públicas que garantam a segurança de mulheres negras na política e a responsabilização dos responsáveis por crimes de ódio. “Nós estamos ocupando espaços que sempre nos foram negados. E não vamos sair. Esses ataques não vão me parar”, concluiu.

O inquérito policial segue em andamento, mas, até o momento, não há informações sobre a identificação do responsável pelos ataques.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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