PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Comunidade LGBTQ+ de Uganda enfrenta clima de medo após lei anti-homossexualidade

Relatório da Human Rights Watch denuncia aumento de violência, perseguição e ameaças contra pessoas LGBTQ+ desde a aprovação da lei que criminaliza relações homossexuais no país
Refugiados LGBT do Sudão do Sul, Uganda e República Democrática do Congo caminham a caminho do protesto para exigir proteção no escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) em Nairóbi, Quênia, em 17 de maio de 2019.

Refugiados LGBT do Sudão do Sul, Uganda e República Democrática do Congo caminham a caminho do protesto para exigir proteção no escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) em Nairóbi, Quênia, em 17 de maio de 2019.

— Yasuyoshi Chiba/AFP

26 de maio de 2025

A organização Human Rights Watch (HRW) divulgou nesta segunda-feira (26) um relatório denunciando o agravamento da perseguição contra pessoas LGBTQ+ em Uganda desde a aprovação da Lei Anti-Homossexualidade de 2023. Segundo o documento, a legislação transformou a homofobia em política de Estado e impulsionou uma onda de violência, extorsão, prisões arbitrárias e ameaças contra pessoas LGBTQ+, suas famílias e ativistas.

A lei, considerada uma das mais severas do mundo, prevê pena de prisão perpétua para relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo e introduz o conceito de “homossexualidade agravada”, punível com pena de morte. Após sua promulgação, vários parceiros internacionais cortaram financiamentos e denunciaram a legislação.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Depoimentos de vítimas revelam clima de terror

A HRW entrevistou quase 60 pessoas — incluindo membros da comunidade LGBTQ+, seus familiares, ativistas e políticos — para mapear os efeitos diretos da lei. O pesquisador Oyem Nyeko afirmou que “as pessoas LGBTQ+ e suas organizações vivem em um clima de medo, pois a lei legitima a violência contra elas. A homofobia foi institucionalizada”.

Os relatos apontam para um aumento significativo de ameaças por telefone e nas redes sociais, além de agressões físicas. Uma ativista relatou ter recebido ameaças virtuais até que três homens invadiram sua casa em 2023, a agrediram e violentaram sexualmente sua amiga. Durante o ataque, um dos agressores disse: “Não te bato só pela tua impureza, mas porque me envergonhas enquanto Ankole. Se quisermos, podemos te matar e ninguém vai te procurar”.

Organizações locais, como a DefendDefenders, com sede em Kampala, relataram casos semelhantes. Apenas 24 horas após a aprovação da lei, foram registrados oito casos de violência física e sexual, incluindo estupros cometidos com o objetivo de “converter” as vítimas à heterossexualidade. O número de pedidos de ajuda recebidos por essas instituições aumentou de forma alarmante.

Repressão a profissionais de defesa e silêncio institucional em Uganda

O relatório também aponta que as principais organizações LGBTQ+ do país foram alvos diretos do governo: várias foram proibidas de atuar, e seus funcionários enfrentaram prisões e ameaças constantes. Advogados que prestam assistência jurídica a pessoas LGBTQ+ passaram a ser perseguidos com mais frequência.

A HRW informou que procurou representantes do governo de Uganda, da polícia e do Ministério Público para apresentar os dados e obter respostas oficiais, mas não recebeu retorno até a publicação do relatório.


A ausência de respostas das autoridades de Uganda e a continuidade das violações indicam, segundo a HRW, a conivência do Estado com o ambiente de perseguição e violência instaurado desde a aprovação da lei. A organização reforçou que a repressão atual ultrapassa os limites legais e transforma a simples existência de pessoas LGBTQ+ em alvo de punições e abusos sistemáticos.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano