PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Projeto da PM permite conduzir presos por mandados judiciais diretamente para prisão, sem passar por delegacias

Projeto experimental da Polícia Militar de São Paulo será avaliado pelos próximos 15 dias na região central da capital
A imagem mostra viaturas da Polícia Civil de SP.

A imagem mostra viaturas da Polícia Civil de SP.

— Ciete Silvério/Governo de São Paulo

5 de junho de 2025

A Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMSP) lançou, na última quarta-feira (4), um projeto-piloto que permite a condução de pessoas presas por mandado judicial diretamente para unidades prisionais, sem a necessidade de passar por delegacias da Polícia Civil.

A iniciativa, intitulada SPRecrim, é experimental e valerá para procurados com mandado de prisão vigente encontrados na região central da capital paulista. Os mandados poderão ser civis, preventivos ou definitivos em regime fechado.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Atualmente, pessoas procuradas pela Justiça são levadas a uma delegacia da Polícia Civil, onde é feito o registro formal da prisão. Depois, o preso é encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para o exame de corpo de delito. O custodiado só é conduzido ao sistema prisional após essas etapas.

À imprensa, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o objetivo do projeto é combater a reincidência criminal e automatizar o envio de informações sobre criminosos. 

A pasta também informou que, na abordagem a pessoas procuradas, os agentes deverão verificar a validade do mandado de prisão no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em nota, a Associação dos Delegados de São Paulo (ADSP) descreve a iniciativa como inconstitucional. André Pereira, presidente da instituição, defende que a atuação do delegado auxilia na garantia dos direitos fundamentais.

“Esse projeto piloto é ilegal, pois impede a atuação do delegado de Polícia, que é o primeiro garantidor dos direitos fundamentais, e, principalmente, do juiz de garantias, responsável por aferir a legalidade de todas as circunstâncias relacionadas ao cumprimento do mandado de prisão. Por meros atos internos, a Polícia Militar está revogando a Constituição Federal e as resoluções do CNJ”, declarou Pereira.

O projeto será avaliado pelos próximos 15 dias nas áreas da 1ª Seccional do Comando de Policiamento de Área Metropolitana 1 (CPA/M-1), unidade responsável pelo policiamento na região central da cidade de São Paulo.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano