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Mídias negras e juventudes ocupam centro do debate sobre comunicação antirracista em SP

Seminário promovido pelo Ministério da Igualdade Racial vai discutir narrativas, representação e participação política da juventude negra brasileira
Jovens reunidos em evento do Plano Juventude Negra Viva (PJNV) realizado em abril de 2026.

Jovens reunidos em evento do Plano Juventude Negra Viva (PJNV) realizado em abril de 2026.

— UNFPA/Luis Targino

24 de junho de 2026

A forma como a juventude negra aparece no debate público, nos meios de comunicação e nos espaços de poder será o tema central do Seminário Nacional de Comunicação Antirracista do Plano Juventude Negra Viva, que ocorre nesta sexta-feira (26), no Espaço Cultural Elza Soares, em São Paulo, com entrada gratuita.

Promovido pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR), em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o encontro reunirá comunicadores populares, mídias negras, agentes territoriais, pesquisadores, gestores públicos, movimentos sociais e juventudes de diferentes regiões do país.

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O seminário propõe uma reflexão sobre quem produz as narrativas sobre a população negra brasileira e quais vozes historicamente foram excluídas dos espaços de produção da informação. Em um cenário marcado pela criminalização da juventude negra e pela permanência de estereótipos raciais, o encontro aposta na experiência acumulada por mídias negras, comunicadores populares e iniciativas territoriais que há décadas constroem outras formas de narrar o Brasil.

A atividade integra as ações de territorialização do Plano Juventude Negra Viva, política lançada pelo Governo Federal em 2024 para enfrentar a violência letal, o racismo estrutural e as desigualdades que atingem a juventude negra brasileira.

Construído a partir do diálogo com movimentos sociais, organizações da sociedade civil e juventudes negras de todo o país, o plano já conta com a adesão de mais de 17 estados e dezenas de municípios.

Leia mais: Ministério da Igualdade Racial busca expandir Plano Juventude Negra Viva

A programação do evento será aberta com o ato político “Juventude Negra Viva é o Brasil Soberano que Queremos”, reunindo a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, representantes do UNFPA, lideranças dos movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

Um dos paineis centrais do ceminário será o “Plano de Comunicação Antirracista na Pegada das Juventudes: Como comunicar o PJNV nas redes, nas ruas e nos territórios?”, que buscará discutir sobre estratégias de comunicação pública, popular e digital voltadas às juventudes negras. A atividade contará com a participação da diretora institucional da Alma Preta, Elaine Silva.

Já o painel “Mídias Negras: a juventude negra fala – territórios, comunicação e futuro”, que reunirá comunicadores, coletivos e experiências de mídia negra de diferentes regiões do país, debaterá os desafios da produção de informação nos territórios, a construção de narrativas sobre a juventude negra e o papel da comunicação popular na defesa de direitos.

Com participação do gerente de projetos da Alma Preta, Victor Oliveira, a conversa tem como objetivo fortalecer o diálogo entre iniciativas que há anos produzem informação, memória e conhecimento a partir das periferias, favelas e territórios negros brasileiros.

Leia mais: Campanha quer ampliar acesso e permanência de estudantes negros no ensino superior

Programação cultural

Além da Feira Antirracista e da Oficina de Zine, jovens de diferentes territórios participarão de uma batalha de slam inspirada nos temas e desafios abordados pelo Plano Juventude Negra Viva, transformando em poesia questões relacionadas à vida, aos direitos, à cultura, à participação social e ao futuro das juventudes negras.

A atividade reforça o reconhecimento das linguagens produzidas pelas juventudes negras como instrumentos de comunicação, mobilização e disputa de narrativas. O encerramento contará com apresentação do DJ KL Jay, dos Racionais MC’s, conectando comunicação, arte e mobilização política em um mesmo espaço.

Para Florence Marcolino, coordenadora-geral de Políticas para a Juventude Negra do Ministério da Igualdade Racial, o seminário parte do reconhecimento de que a comunicação é um dos campos estratégicos para a defesa do plano.

“O Plano Juventude Negra Viva foi construído para garantir direitos, mas também para ampliar a participação da juventude negra na construção do Brasil que queremos. Em um estado estratégico como São Paulo, queremos fortalecer experiências que já produzem comunicação, cultura e mobilização social nos territórios, construídas por quem vive a realidade e luta todos os dias para transformá-la”, afirmou.

“A juventude negra precisa estar nos espaços onde as narrativas são produzidas, as decisões são tomadas e o futuro do país é disputado. Esse seminário é parte desse movimento. Afinal, a Juventude Negra Viva é o Brasil soberano que queremos construir”, complementou.

A programação completa está disponível no Sympla.

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