A forma como a juventude negra aparece no debate público, nos meios de comunicação e nos espaços de poder será o tema central do Seminário Nacional de Comunicação Antirracista do Plano Juventude Negra Viva, que ocorre nesta sexta-feira (26), no Espaço Cultural Elza Soares, em São Paulo, com entrada gratuita.
Promovido pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR), em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o encontro reunirá comunicadores populares, mídias negras, agentes territoriais, pesquisadores, gestores públicos, movimentos sociais e juventudes de diferentes regiões do país.
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O seminário propõe uma reflexão sobre quem produz as narrativas sobre a população negra brasileira e quais vozes historicamente foram excluídas dos espaços de produção da informação. Em um cenário marcado pela criminalização da juventude negra e pela permanência de estereótipos raciais, o encontro aposta na experiência acumulada por mídias negras, comunicadores populares e iniciativas territoriais que há décadas constroem outras formas de narrar o Brasil.
A atividade integra as ações de territorialização do Plano Juventude Negra Viva, política lançada pelo Governo Federal em 2024 para enfrentar a violência letal, o racismo estrutural e as desigualdades que atingem a juventude negra brasileira.
Construído a partir do diálogo com movimentos sociais, organizações da sociedade civil e juventudes negras de todo o país, o plano já conta com a adesão de mais de 17 estados e dezenas de municípios.
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A programação do evento será aberta com o ato político “Juventude Negra Viva é o Brasil Soberano que Queremos”, reunindo a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, representantes do UNFPA, lideranças dos movimentos sociais e organizações da sociedade civil.
Um dos paineis centrais do ceminário será o “Plano de Comunicação Antirracista na Pegada das Juventudes: Como comunicar o PJNV nas redes, nas ruas e nos territórios?”, que buscará discutir sobre estratégias de comunicação pública, popular e digital voltadas às juventudes negras. A atividade contará com a participação da diretora institucional da Alma Preta, Elaine Silva.
Já o painel “Mídias Negras: a juventude negra fala – territórios, comunicação e futuro”, que reunirá comunicadores, coletivos e experiências de mídia negra de diferentes regiões do país, debaterá os desafios da produção de informação nos territórios, a construção de narrativas sobre a juventude negra e o papel da comunicação popular na defesa de direitos.
Com participação do gerente de projetos da Alma Preta, Victor Oliveira, a conversa tem como objetivo fortalecer o diálogo entre iniciativas que há anos produzem informação, memória e conhecimento a partir das periferias, favelas e territórios negros brasileiros.
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Programação cultural
Além da Feira Antirracista e da Oficina de Zine, jovens de diferentes territórios participarão de uma batalha de slam inspirada nos temas e desafios abordados pelo Plano Juventude Negra Viva, transformando em poesia questões relacionadas à vida, aos direitos, à cultura, à participação social e ao futuro das juventudes negras.
A atividade reforça o reconhecimento das linguagens produzidas pelas juventudes negras como instrumentos de comunicação, mobilização e disputa de narrativas. O encerramento contará com apresentação do DJ KL Jay, dos Racionais MC’s, conectando comunicação, arte e mobilização política em um mesmo espaço.
Para Florence Marcolino, coordenadora-geral de Políticas para a Juventude Negra do Ministério da Igualdade Racial, o seminário parte do reconhecimento de que a comunicação é um dos campos estratégicos para a defesa do plano.
“O Plano Juventude Negra Viva foi construído para garantir direitos, mas também para ampliar a participação da juventude negra na construção do Brasil que queremos. Em um estado estratégico como São Paulo, queremos fortalecer experiências que já produzem comunicação, cultura e mobilização social nos territórios, construídas por quem vive a realidade e luta todos os dias para transformá-la”, afirmou.
“A juventude negra precisa estar nos espaços onde as narrativas são produzidas, as decisões são tomadas e o futuro do país é disputado. Esse seminário é parte desse movimento. Afinal, a Juventude Negra Viva é o Brasil soberano que queremos construir”, complementou.
A programação completa está disponível no Sympla.