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Brasil registra recorde de feminicídios e estupros em 2024, aponta Mapa da Segurança Pública

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram aumento de 25,8% nos casos de estupro em cinco anos, enquanto feminicídios atingem maior patamar da série histórica: quatro mulheres foram mortas por dia no país
Silhueta (sombra) de uma mulher sofrendo violência de um homem.

Silhueta (sombra) de uma mulher sofrendo violência de um homem.

— Arquivo Agência Brasil

11 de junho de 2025

O Brasil registrou, em 2024, o maior número de feminicídios desde que esse tipo de crime passou a ser monitorado oficialmente. Foram 1.459 casos, de acordo com os dados consolidados no Mapa da Segurança Pública 2025, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta quarta-feira (11). 

O relatório reúne estatísticas produzidas a partir das informações enviadas pelas unidades da federação ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Prisionais, de Rastreabilidade de Armas e Munições, de Material Genético, de Digitais e de Drogas (Sinesp), sistema oficial de monitoramento da segurança pública brasileira.

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O número equivale a quatro mulheres assassinadas por dia em crimes motivados por violência de gênero. A média nacional foi de 1,34 feminicídios por 100 mil mulheres, índice que se manteve em relação ao ano anterior. A Região Centro-Oeste apresentou a maior taxa do país, com 1,87 casos por 100 mil.

O relatório também aponta os estados com maiores crescimentos percentuais em relação a 2023: Piauí (42,86%), Maranhão (38%), Paraná (34,57%), Amazonas (30,43%) e Mato Grosso do Sul e Roraima (ambos com 16,67%). Em números absolutos, as capitais São Paulo e Rio de Janeiro lideraram, com 51 vítimas cada.

Casos de estupro sobem 25,8% em cinco anos

O Mapa da Segurança Pública  mostra também crescimento expressivo nos registros de estupro. Em 2024, o país contabilizou 83.114 vítimas, o maior número dos últimos cinco anos. Em 2020, foram 66.056 casos. O aumento acumulado desde então chegou a 25,8%. Na comparação com 2023, quando houve 82.204 registros, o crescimento foi de 1,1%.

A média foi de 227 vítimas por dia. Entre os casos registrados, 86% tiveram como vítimas pessoas do sexo feminino — 71.834 mulheres.

Rondônia apresentou a maior taxa por 100 mil habitantes (87,73), seguida por Roraima (84,68) e Amapá (81,96). O Sudeste concentrou o maior número absoluto de casos, com 29.007 vítimas. A Região Norte registrou o maior crescimento da taxa, com aumento de 62,44%.

Entre os estados com maiores variações percentuais em relação a 2023 estão Paraíba (100%), Amazonas (42,91%), Amapá (35,95%), Tocantins (34,84%) e Rio Grande do Norte (34,32%).

Homicídios em geral caem 5,5%, mas violência letal contra mulheres cresce

Apesar do aumento nos feminicídios, os homicídios dolosos — principal categoria de assassinato — apresentaram queda de 6,3%, passando de 35.150 casos em 2023 para 32.949 em 2024. A redução geral nos assassinatos foi de 5,5%, totalizando 38.509 mortes no ano passado, contra 40.768 no ano anterior.

Latrocínios também caíram (1,6%), assim como as mortes decorrentes de intervenções policiais (4%), que somaram 6.134 em 2024. Por outro lado, as lesões corporais seguidas de morte cresceram 22,9%.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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