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‘É muito preocupante’: Cacique denuncia mobilização de grupo Invasão Zero

Em fórum do Invasão Zero, o deputado federal Marcos Pollon ensinou formas de adquirir armas de fogo para fazendeiros em disputas territoriais
A imagem mostra indígenas da etnia Mundukuru durante o Acampamento Terra Livre, em abril de 2025.

A imagem mostra indígenas da etnia Mundukuru durante o Acampamento Terra Livre, em abril de 2025.

— Mauro Pimentel/AFP

12 de junho de 2025

O deputado estadual Diego Castro (PL) apresentou, na última quarta-feira (12), uma moção de aplausos ao “Movimento Invasão Zero” na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). O grupo de fazendeiros é conhecido pelo envolvimento em conflitos territoriais em terras indígenas. 

A homenagem do parlamentar se referiu à realização da primeira edição do “Fórum Nacional do Movimento Invasão Zero”, ocorrido em Ilhéus (BA), no último domingo (7). Além de ruralistas, o encontro contou com a participação dos deputados federais Coronel Meira (PL-PE) e Marcos Pollon (PL-MS).

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Em sua fala no evento, Pollon, que teve um espaço de 15 minutos entre as palestras, conta que tem conhecimento jurídico de longa data sobre conflitos possessórios e defende a legítima defesa da propriedade no Brasil, que classifica como “limitada e marginalizada”.

O parlamentar descreve múltiplas formas legais de armar-se, específicas para o contexto da proteção de propriedade rural, e adverte sobre os tipos de ameaças possíveis para os posseiros, como os “movimentos terroristas organizados”. 

“A terceira possibilidade são movimentos terroristas organizados e respondem por vários nomes que vocês conhecem aí. Muitas vezes, eles têm amparo de entidades públicas, de advocacia pública e instituição que deveriam defender os cidadãos, mas protegem esses ‘marginais’. Lembrando que eles estão sempre colados com os meios de comunicação, com a imprensa. Então a narrativa é a primeira guerra que você vai ter que vencer”, declarou o deputado no evento.

Ataques violentos

À Alma Preta, o Cacique Acauã, do povo Tupinambá de Olivença, recorda que já houve ataques às comunidades indígenas com a participação de integrantes do grupo. O Invasão Zero foi investigado pela Polícia Civil no ano passado, por envolvimento na morte da Pajé Nega Pataxó, no dia 21 de janeiro.

“Já fizeram um ataque lá com Pataxó, onde se foi vida da Pajé Nega. Também alvejaram o cacique Nailton e como muitos outros índios também. E por eles as coisas continuam assim, fazendo fórum, audiência pública, como essa que teve. É muito preocupante, né?

A liderança ressalta que os ataques são frequentemente utilizados como forma de pressionar a entrega da posse dos territórios, muitas vezes resultando em mortos e feridos. 

“A gente vê acontecendo em outras regiões, né? Mesmo com a Justiça não permitindo, eles ameaçam ou entram à força, como já ocorreu em Porto Seguro. Eles entram por conta própria e com muita violência, atirando. E eles matam mesmo, ceifando a vida dos indígenas”.

Segundo o cacique, a Terra Indígena Santana, vizinha ao território dos Tupinambá de Olivença, no sul da Bahia, sofreu um ataque no início mês. De acordo com o líder, cerca de 15 homens encapuzados invadiram e atiraram contra dois indígenas que estavam no local. Depois que as vítimas fugiram, os invasores teriam ocuparam área. 

“A gente teme por mais situações de violência, né? A Justiça tem que tomar partido para tentar impedir isso e para resolver demarcar o território. É demarcando o território que todos os lados ficarão bem”, completa.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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