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‘Seleção se consolida no cenário mundial’, diz comentarista sobre futebol feminino brasileiro pré-Copa América

Em entrevista à Alma Preta, Jordana Araújo destaca a importância da competição para a seleção brasileira
As jogadoras Dudinha, Marta e Jhonson no amistoso contra o Japão no estádio municipal Cicero De Souza Marques em Bragança Paulista, no dia 2 de junho de 2025.

As jogadoras Dudinha, Marta e Jhonson no amistoso contra o Japão no estádio municipal Cicero De Souza Marques em Bragança Paulista, no dia 2 de junho de 2025.

— Lívia Villas Boas/CBF

19 de junho de 2025

Após uma sequência de oito amistosos e seis vitórias, a Seleção Brasileira de Futebol Feminino entra na reta final de preparação para a Copa América, que começa em 12 de julho, em Quito, no Equador. Atual campeã, a equipe busca seu nono título continental com a participação de doze seleções.

Em entrevista à Alma Preta, a comentarista e jornalista esportiva Jordana Araújo destacou a preparação da equipe sob comando de Arthur Elias, após os amistosos contra Japão e Estados Unidos.

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“O Brasil vem de uma sequência ótima de dois amistosos contra equipes fortes. A seleção respondeu muito bem, muito mais contra o Japão do que contra os Estados Unidos, que foi mais equilibrado”, analisa.

Entre as adversárias relevantes escolhidas estrategicamente pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), estão as seleções dos Estados Unidos e da França. O último amistoso do Brasil antes da Copa América será no dia 27 de junho, contra as francesas, no Estádio dos Alpes, em Grenoble.

“A seleção está se consolidando no cenário mundial. A partir disso, todo projeto tem seus ajustes que precisam ser feitos. Principalmente a galera que acompanha e vive ali o futebol feminino, mas eu acho que esse projeto de preparação até a Copa do Mundo de 2027  está sendo muito bem feito e bem cuidado, então é um acerto muito grande da CBF”, afirma Jordana.

O desempenho nas vitórias recentes rendeu resultados. Em 12 de junho a seleção subiu da oitava para a quarta posição no ranking mundial feminino da Federação Internacional de Futebol (FIFA). Essa é a melhor colocação desde dezembro de 2013. 

A comentarista e jornalista esportiva Jornada Araújo que atua no SporTV e no Globo Esporte. (Foto: Reprodução/Rede Social)

Atletas da nova geração

A comentarista também enfatizou a mescla entre juventude e experiência como diferencial da equipe. “Apesar da pouca idade, são jogadoras que respondem bem, que têm uma vivência grande do futebol feminino. Isso acaba facilitando a transição de quem chega um pouquinho mais jovem”, explicou.

Destaques da base pela sua maturidade e desempenho em campo, Dudinha e Jhonson, ambas com 19 anos, estrearam recentemente na seleção principal. Segundo  Jordana, que acompanhou a jornada das jogadoras, Dudinha já destoava das demais nos jogos do São Paulo. “Parecia que ela já era uma atleta formada. Claro que tem muita coisa que precisa aprimorar dentro desse contexto, mas ela basicamente veio pronta.” 

Com Jhonson esse cenário não é diferente. Autora do gol da vitória sobre o Japão, ela passou por uma temporada difícil no Corinthians por conta de uma lesão no menisco em 2024 considerada grave, mas  vive sua melhor fase atualmente. “Em 2025 ela está passando por essa virada, por essa consolidação com a camisa do Corinthians e, consequentemente, também na seleção feminina”.

Outros nomes ganham notoriedade, como as atacantes Gio  (Atlético de Madrid) e Kerolin (Manchester City). A última  marcou um gol contra o Japão no amistoso e vem se tornando uma peça fundamental da seleção brasileira.

“Kerolin está mais consolidado ali no ataque, mas é uma jogadora também que vem fazendo uma temporada de clubes muito boa e isso vem trazendo resultados na seleção. É uma aposta para essa Copa América”, destaca a comentarista.

Kerolin comemora gol no amistoso contra o Japão na Neo Quimica Arena em São Paulo no dia 30 de maio de 2025.( Foto: Staff Images Woman / CBF)

O retorno de Marta

A competição também marca o retorno de Marta, que se despediu da Seleção nas Olimpíadas de Paris, mas volta a defender o Brasil. Para Jordana, ela carrega uma trajetória importante no futebol feminino dentro e fora de campo. 

“Ela é uma ponte de transição geracional muito importante. É uma jogadora que ali dentro é referência. Todas as meninas que estão ali enxergam na Marta um sonho. Elas enxergam na Marta a possibilidade de vivenciar o futebol”, avalia.

Visibilidade e incentivo no futebol feminino

Apesar dos avanços, a comentarista pontua que ainda há desafios estruturais no futebol feminino brasileiro, historicamente afetado pela proibição da modalidade até 1979.

“Nos últimos anos a gente caminhou bastante. Tivemos a estruturação de campeonatos, visibilidade. Cada vez mais a procura do torcedor, das pessoas para consumir. Porém, a gente ainda tem um gap muito grande de estrutura”, lamenta a jornalista esportiva.

Jordana também cobra posicionamentos e medidas dos clubes para transformar esse cenário e popularizar cada vez mais o esporte, além da atenção em todas as divisões do futebol feminino. 

“A gente precisa ter esse comprometimento, da CBF, em cobrar esses clubes por  melhores condições para as jogadoras. Mas também atuar como essa entidade máxima dando estrutura e cuidado.  A gente está na expectativa que a partir desse período que antecede a Copa do Mundo as pessoas tenham um olhar melhor para o futebol feminino em  todas as divisões, não só para série A do Brasileirão, mas para todas as divisões, para a própria Copa do Brasil e para que a modalidade desenvolva”, acrescenta.

Favoritismo e principais rivais na Copa América

O Brasil estreia no dia 13 de julho contra a Venezuela, pelo Grupo B, que também inclui Bolívia, Colômbia e Paraguai. Para Jordana, o maior desafio será a disputa contra a Colômbia, que fez uma campanha consistente na Copa do Mundo de 2023.

“A Colômbia é o grande adversário do Brasil. É um país que investe quando traz competições sul-americanas como a libertadores, todos os clubes colombianos chegam fortes”, comenta.

A comentarista ainda destaca a importância da competição como parte da preparação para a Copa do Mundo de 2027, que será sediada no Brasil.

“O Brasil é favorito pelo projeto do Arthur Elias, pela consolidação do futebol feminino, mas é uma competição que não deixa de ser importante para essa preparação para Copa do Mundo, para mostrar também para o público brasileiro o futebol sul-americano fora do contexto de Libertadores”.

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  • Thayná Santana

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