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Festa de marisqueiras e pescadores reivindica titulação definitiva do quilombo do Alto do Tororó

O evento é um ato de resistência que reconhece os 15 anos de autodemarcação e certificação do território quilombola, além de enaltecer a tradição do povo negro
Joelma Antunes

Registro de edição anterior do festejo no Quilombo do Alto do Tororó

— Joelma Antunes

27 de junho de 2025

Reafirmação do território, fortalecimento da memória e existência digna são algumas das palavras de ordem do povo quilombola do Alto do Tororó, pessoas que fazem da Festa das Marisqueiras e Pescadores, que representa, além da celebração, um ato de resistência em busca da titulação definitiva da comunidade. A celebração, que desde 2018 já realizou três edições, volta ao calendário da Bahia no dia 28 de junho, com mesa de abertura das 8h às 10h, na comunidade Alto do Tororó, localizada em São Tomé de Paripe.

A programação é diversa e celebrativa: rodas de samba, capoeira, bumba meu boi,  feira de artesanato, exibição de filmes, mostra fotográfica, e a aguardada corrida de canoas — símbolo da conexão histórica com as águas da região. É também uma oportunidade para a comercialização de produtos artesanais e da agricultura familiar, fortalecendo a economia solidária e o protagonismo comunitário.

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A comunidade encontra no samba um movimento de fortalecimento da ancestralidade. “Eu acredito no samba como ferramenta de aquilombamento e de alto reconhecimento da população quilombola, pra mim é também um ato político. O samba nos movimenta e a nossa ancestralidade nos guia”, afirma Bárbara Maré que é liderança quilombola do Alto do Tororó e integrante do Grupo das Matriarcas do Samba.

A Festa das Marisqueiras e Pescadores é uma tradição cultural que existe no Quilombo Alto do Tororó há 40 anos. A comunidade celebra sua força e luta em torno da defesa do território a partir das suas manifestações culturais como o samba de crioula, o bumba meu boi, a corrida de canoa e a culinária. A comunidade fortalece sua identidade e pertencimento territorial e transmite para as novas gerações a importância da cultura quilombola.

“A preservação da memória, a força da ancestralidade e o cultivo da cultura popular encontram expressão potente na Festa das Marisqueiras e dos Pescadores, retomada após um hiato de mais de quatro décadas. Desde então, a celebração tem reafirmado o orgulho quilombola e o direito à existência digna, à pesca artesanal e à valorização das tradições locais. Mais que uma festividade, a festa é um ato de resistência e reafirmação territorial”, ressalta João Paulo Diogo, membro do Coletivo Assessoria Cirandas.

Exposição “Quando o Corpo vira Paisagem”

Durante 2024 e 2025, a Assessoria Cirandas desenvolveu atividades de Comunicação para o Desenvolvimento e Educomunicação na comunidade Alto do Tororó. O objetivo foi criar um núcleo de comunicação juventil para que a comunidade possa compartilhar suas belezas e sonhos com o mundo. A exposição estará aberta ao público nos dias 28 e 30 de junho, nas ruas do Alto do Tororó.

O conceito da exposição “Quando o Corpo vira Paisagem” é transformar as ruas do Quilombo do Alto do Tororó em uma grande vitrine fotográfica a céu aberto.

Festa das Marisqueiras e Pescadores 

Em anos anteriores foi celebrada no dia 29 de junho, em homenagem a São Pedro, padroeiro dos pescadores. O encontro é uma oportunidade de a comunidade celebrar sua força e luta pela defesa do território pesqueiro e quilombola, trazendo à tona a sua rica cultura. A Festa é uma estratégia essencial para conectar e construir uma ponte entre as gerações passadas e as gerações presentes.

Durante o evento, diversas manifestações culturais são enaltecidas, e se fortalece a identidade e o sentimento de pertencimento territorial da comunidade. O samba de crioula, o bumba meu boi e a corrida de canoa são alguns destaques de atividades que preservam e celebram a herança quilombola. Estes elementos culturais servem como um meio para mostrar às gerações mais novas e a sociedade soteropolitana, o valor e a força da cultura quilombola, e garantir que a história e as tradições do Quilombo do Alto do Tororó continuem vivas e respeitadas.

A iniciativa tem um papel social, político, identitário e econômico evidente que mobiliza pessoas de dentro e de fora do quilombo, e mostra a indissociabilidade entre fazer cultura e fazer política. É também um espaço formativo para as crianças e novas gerações, que imersas no festejo, aprendem na prática os valores éticos e culturais que remodelam sua cosmopercepção de mundo

Serviço

Festa das Marisqueiras e Pescadores do Quilombo do Alto do Tororó

Data: 28/06

Local:  na comunidade Alto do Tororó, localizada em São Tomé de Paripe.

Mesa de abertura – 8h às 10h

Abertura – Contará com a presença de algumas entidades como: Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos povos e comunidades tradicionais (SEPROMI); Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA); Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); Ouvidoria do Estado; Fundação Gregório de Matos e Secretária de Reparação Municipal.

Apresentação Cultural – 10h – Matriarcas 

Corrida – 10h30 às 12h30

Samba – QUIAL – 12h30 às 14h

Mesa – 14h às 15h

Composta por representantes da Comunidade do Alto do Tororó; Jurandir (Pitanga de Palmares); Cacique Ramos; Dona Olinda; Assessoria Cirandas – Glauber; Jerry – Caritás; CESOL; Santa Luzia; Rejane (Quingoma).

Apresentação Cultural – 15h às 15h30 – Mãos de Couro 

Apresentação Cultural – 15h30 às 17h – Kiabo Capoeira; Matriarcas Mirim – Samba e Boi Mirim

Premiação da Corrida – 17h às 17h30

Show Van Black – 18h às 22h

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