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Da ancestralidade ao futuro: 11 filmes e documentários sobre a experiência negra para assistir na Tela Brasil

De Tia Ciata a Gilberto Gil, passando por religiosidade afro-brasileira, memória, cinema e resistência, seleção reúne produções disponíveis gratuitamente na plataforma pública
Cena do curta-metragem "O Órfão", de 2018.

Cena do curta-metragem "O Órfão", de 2018.

— Reprodução/MyMama Entertainment

2 de junho de 2026

A Tela Brasil, plataforma pública e gratuita de streaming lançada pelo governo federal no último sábado (30), durante o Rio2C 2026, reúne produções que atravessam diferentes momentos da história da população negra no país. 

Entre obras de ficção, documentários e registros históricos, o catálogo oferece caminhos para compreender temas como ancestralidade, resistência, religiosidade, cultura, encarceramento, racismo e relações familiares.

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Muitas das produções dialogam com a experiência negra brasileira. A Alma Preta fez uma seleção de 11 títulos para quem quer conhecer a nova plataforma.

As obras percorrem mais de sete décadas de audiovisual e apresentam diferentes perspectivas sobre a formação social e cultural da população negra no Brasil. Confira abaixo.

Leia mais: Para além do 13 de maio: 10 filmes que provocam o debate sobre reparação histórica no Brasil

Ancestralidade, memória e religiosidade

1) “Tia Ciata” (2017)

O documentário recupera a trajetória de Hilária Batista de Almeida, conhecida como Tia Ciata, uma das figuras centrais da cultura afro-brasileira no Rio de Janeiro e considerada a matriarca do samba.

A obra mostra sua atuação como liderança comunitária, referência religiosa e articuladora de redes de solidariedade entre a população negra após a abolição. O filme também estabelece conexões entre seu legado e a atuação de mulheres negras na atualidade.

2) “Congados” (1976)

Filmado em Ouro Preto (MG), o curta documenta uma das manifestações afro-brasileiras mais presentes em Minas Gerais.

A produção acompanha a celebração dedicada a Nossa Senhora do Rosário e evidencia como descendentes de africanos mantêm tradições ligadas às suas origens em Angola, Congo e Moçambique.

3) “Do que aprendi com minhas mais velhas” (2017)

O documentário aborda a transmissão de conhecimentos dentro do candomblé.

Por meio de relatos de yalorixás, nenguas e egbomis, a obra mostra como saberes religiosos atravessam gerações e permanecem vivos por meio da oralidade e da convivência comunitária.

4) “Memórias Afro-Atlânticas” (2020)

O filme revisita a pesquisa realizada na Bahia pelo linguista afro-americano Lorenzo Dow Turner durante a década de 1940.

A produção recupera registros históricos de lideranças religiosas do candomblé e acompanha descendentes dessas comunidades décadas depois, estabelecendo uma ponte entre África, Brasil, memória e patrimônio cultural.

Personagens da resistência negra

5) “Jangada” (1949)

Único fragmento preservado de um longa-metragem interrompido por um incêndio durante as gravações, o filme é inspirado na trajetória do jangadeiro Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar.

A narrativa retrata a mobilização de trabalhadores cearenses contra o transporte de pessoas escravizadas nos anos finais da escravidão.

Cena de “Jangada”, parte do catálogo da plataforma governamental Tela Brasil.

6) “Malunga” (2013)

O documentário acompanha a trajetória de Thereza Santos, atriz, dramaturga, militante e uma das referências do movimento negro brasileiro.

A obra reúne relatos sobre perseguição política durante a ditadura, prisão, exílio em países africanos e atuação artística e política no Brasil e no continente africano.

Música, identidade e representação

7) “Refavela 40” (2019)

O documentário celebra os 40 anos do álbum Refavela, lançado por Gilberto Gil em 1977.

A produção reúne depoimentos, registros históricos e apresentações musicais para discutir a influência do disco, marcado pelo diálogo entre Brasil, África e diáspora negra. O filme também evidencia como o álbum permanece como referência para debates sobre identidade, cultura e pertencimento.

8) “Orfeu Negro” (1959)

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes e do Oscar de Melhor Filme Internacional, Orfeu Negro adaptou o mito grego de Orfeu e Eurídice para o contexto do Carnaval carioca.

A história acompanha o romance entre Orfeu e Eurídice em uma favela do Rio de Janeiro. Décadas após o lançamento, o filme segue como referência para discussões sobre a representação da população negra no cinema e a imagem do Brasil construída para o público internacional.

Afetos, família e futuro

9) “Mergulho” (2022)

Durante os preparativos para um fim de semana na praia, o retorno de um filho ausente há dez anos faz emergir conflitos dentro de uma família negra.

O curta utiliza as relações familiares para discutir pertencimento, memória, afetos e experiências compartilhadas pela população negra brasileira.

10) “O Órfão” (2018)

Inspirado em fatos reais, o curta acompanha Jonathas, um menino que retorna ao abrigo após ser devolvido pela família que o adotou.

A justificativa apresentada para a devolução é seu comportamento considerado feminino. A obra aborda infância, racismo, sexualidade e exclusão social.

11) “Chico” (2016)

Ambientado em 2029, o filme imagina um país onde crianças negras e pobres recebem dispositivos de monitoramento desde o nascimento.

Quando uma lei autoriza a prisão preventiva desses jovens sob a justificativa de evitar futuros crimes, a narrativa acompanha os impactos da medida sobre uma família. A ficção científica serve de ponto de partida para refletir sobre vigilância, criminalização e desigualdades raciais.


Leia mais: Nove filmes para conhecer a história do cinema negro no Brasil

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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