A Tela Brasil, plataforma pública e gratuita de streaming lançada pelo governo federal no último sábado (30), durante o Rio2C 2026, reúne produções que atravessam diferentes momentos da história da população negra no país.
Entre obras de ficção, documentários e registros históricos, o catálogo oferece caminhos para compreender temas como ancestralidade, resistência, religiosidade, cultura, encarceramento, racismo e relações familiares.
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Muitas das produções dialogam com a experiência negra brasileira. A Alma Preta fez uma seleção de 11 títulos para quem quer conhecer a nova plataforma.
As obras percorrem mais de sete décadas de audiovisual e apresentam diferentes perspectivas sobre a formação social e cultural da população negra no Brasil. Confira abaixo.
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Ancestralidade, memória e religiosidade
1) “Tia Ciata” (2017)
O documentário recupera a trajetória de Hilária Batista de Almeida, conhecida como Tia Ciata, uma das figuras centrais da cultura afro-brasileira no Rio de Janeiro e considerada a matriarca do samba.
A obra mostra sua atuação como liderança comunitária, referência religiosa e articuladora de redes de solidariedade entre a população negra após a abolição. O filme também estabelece conexões entre seu legado e a atuação de mulheres negras na atualidade.
2) “Congados” (1976)
Filmado em Ouro Preto (MG), o curta documenta uma das manifestações afro-brasileiras mais presentes em Minas Gerais.
A produção acompanha a celebração dedicada a Nossa Senhora do Rosário e evidencia como descendentes de africanos mantêm tradições ligadas às suas origens em Angola, Congo e Moçambique.
3) “Do que aprendi com minhas mais velhas” (2017)
O documentário aborda a transmissão de conhecimentos dentro do candomblé.
Por meio de relatos de yalorixás, nenguas e egbomis, a obra mostra como saberes religiosos atravessam gerações e permanecem vivos por meio da oralidade e da convivência comunitária.
4) “Memórias Afro-Atlânticas” (2020)
O filme revisita a pesquisa realizada na Bahia pelo linguista afro-americano Lorenzo Dow Turner durante a década de 1940.
A produção recupera registros históricos de lideranças religiosas do candomblé e acompanha descendentes dessas comunidades décadas depois, estabelecendo uma ponte entre África, Brasil, memória e patrimônio cultural.
Personagens da resistência negra
5) “Jangada” (1949)
Único fragmento preservado de um longa-metragem interrompido por um incêndio durante as gravações, o filme é inspirado na trajetória do jangadeiro Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar.
A narrativa retrata a mobilização de trabalhadores cearenses contra o transporte de pessoas escravizadas nos anos finais da escravidão.

6) “Malunga” (2013)
O documentário acompanha a trajetória de Thereza Santos, atriz, dramaturga, militante e uma das referências do movimento negro brasileiro.
A obra reúne relatos sobre perseguição política durante a ditadura, prisão, exílio em países africanos e atuação artística e política no Brasil e no continente africano.
Música, identidade e representação
7) “Refavela 40” (2019)
O documentário celebra os 40 anos do álbum Refavela, lançado por Gilberto Gil em 1977.
A produção reúne depoimentos, registros históricos e apresentações musicais para discutir a influência do disco, marcado pelo diálogo entre Brasil, África e diáspora negra. O filme também evidencia como o álbum permanece como referência para debates sobre identidade, cultura e pertencimento.
8) “Orfeu Negro” (1959)
Vencedor da Palma de Ouro em Cannes e do Oscar de Melhor Filme Internacional, Orfeu Negro adaptou o mito grego de Orfeu e Eurídice para o contexto do Carnaval carioca.
A história acompanha o romance entre Orfeu e Eurídice em uma favela do Rio de Janeiro. Décadas após o lançamento, o filme segue como referência para discussões sobre a representação da população negra no cinema e a imagem do Brasil construída para o público internacional.
Afetos, família e futuro
9) “Mergulho” (2022)
Durante os preparativos para um fim de semana na praia, o retorno de um filho ausente há dez anos faz emergir conflitos dentro de uma família negra.
O curta utiliza as relações familiares para discutir pertencimento, memória, afetos e experiências compartilhadas pela população negra brasileira.
10) “O Órfão” (2018)
Inspirado em fatos reais, o curta acompanha Jonathas, um menino que retorna ao abrigo após ser devolvido pela família que o adotou.
A justificativa apresentada para a devolução é seu comportamento considerado feminino. A obra aborda infância, racismo, sexualidade e exclusão social.
11) “Chico” (2016)
Ambientado em 2029, o filme imagina um país onde crianças negras e pobres recebem dispositivos de monitoramento desde o nascimento.
Quando uma lei autoriza a prisão preventiva desses jovens sob a justificativa de evitar futuros crimes, a narrativa acompanha os impactos da medida sobre uma família. A ficção científica serve de ponto de partida para refletir sobre vigilância, criminalização e desigualdades raciais.
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