A força da ancestralidade, a urgência da memória e a potência da criação contemporânea se encontram em “Onã”, primeira mostra de artes visuais negras do Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs), no interior de São Paulo.
Gratuita e aberta para visitação até 28 de julho, a exposição reúne artistas de Sorocaba, São Paulo e Tatuí em uma ocupação artística marcada pela diversidade de linguagens, pela valorização das narrativas afro-diaspóricas e pelo fortalecimento da identidade negra no território paulista.
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A Onã se apresenta como um percurso de reencontro com a ancestralidade e de afirmação cultural. Proveniente do iorubá, o termo “Onã” significa “caminho”, conceito que orienta a curadoria ao conectar diferentes trajetórias negras dentro da arte contemporânea regional.
A mostra articula dois tempos: o presente, marcado pelos debates sobre desigualdade, violência e racismo estrutural; e o passado, convocado como espaço de memória, resistência e reafirmação de raízes. Nesse trânsito entre temporalidades, os trabalhos expostos propõem novas leituras sobre corporeidade, oralidade, vulnerabilidade social, poética periférica e estética negra contemporânea.
Com produção cultural de Magda Barbosa, orientação de Wellington Ataíde e expografia assinada por Ana Antunes, Onã ocupa o museu com obras inéditas e comissionadas especialmente para o projeto. Das dez obras apresentadas, nove foram concebidas exclusivamente para a exposição, reforçando o caráter experimental da iniciativa.
A narrativa visual da mostra reúne diferentes segmentos artísticos. Nas artes plásticas, participam os artistas Ghum e Diego Dedablio. A linguagem audiovisual aparece na vídeo-performance de Daia Moura e na performance de Manu Neto. A fotografia dialoga com a pintura na série de foto-pinturas de Vine Ferreira. Já a artista Cíntia Delgado apresenta uma obra linguística ligada à memória do Quilombo Caxambu.
As instalações assinadas por Jhonatan Cardim e Vicente Alves ampliam a experiência sensorial da exposição, enquanto o compositor Carlo Rappaz contribui com um manifesto sonoro que atravessa a proposta curatorial. A mostra inclui ainda uma intervenção urbana em formato lambe-lambe, expandindo a ocupação artística para além das paredes do museu.
Inspirada em símbolos ancestrais como a Sankofa, adinkra da mitologia akan que remete à importância de retornar ao passado para construir o futuro, Onã questiona padrões tradicionais do circuito artístico e propõe uma estética centrada na cosmovisão negra.
A iniciativa acontece em parceria com o Macs e conta com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Lei nº 14.399/2022).
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Serviço
Exposição de arte negra “Onã”
Quando: Visitação até 28 de julho de 2026, de terça a sexta das 10h às 17h. Sábado, domingo e feriado, das 10h às 15h
Onde: Avenida Dr. Afonso Vergueiro, 280 – Centro, Sorocaba – SP
Entrada gratuita