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Morte de jovem negro por PM reabre debate sobre impeachment de secretário de segurança pública de SP

Guilherme Dias dos Santos Ferreira corria para pegar um ônibus quando foi alvejado na cabeça por um policial, que alegou tê-lo confundido com um ladrão
Na foto, o jovem Guilherme Dias Santos.

Na foto, o jovem Guilherme Dias Santos.

— Reprodução/Redes Sociais

8 de julho de 2025

A morte do jovem negro Guilherme Dias dos Santos Ferreira,  de 26 anos, atingido com um tiro na cabeça por um policial militar enquanto corria para pegar um ônibus na Zona Sul de São Paulo, reabriu o debate sobre o impeachment do secretário estadual de Segurança Pública, Guilherme Derrite.

A codeputada da Bancada Feminista do PSOL na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Simone Nascimento, relembra as denúncias que motivaram o pedido de saída de Derrite do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo a parlamentar, os deputados reforçaram o pedido na segunda-feira (7).

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“Em junho, as bancadas feministas do PSOL na Câmara Municipal de São Paulo e na Alesp enviaram um ofício à ONU para denunciar o aumento de mortes de crianças e adolescentes por letalidade policial no estado. Ontem todos os mandatos de oposição da Alesp reforçaram a posição pública em defesa do impeachment do secretário Derrite”, afirma em entrevista à Alma Preta.

Em dezembro de 2024, 26 deputados paulistas protocolaram um pedido de impeachment contra o secretário em razão do aumento da letalidade policial e da omissão da gestão de Guilherme Derrite diante dos abusos cometidos por policiais nos últimos dois anos.

Simone Nascimento classificou o assassinato de Guilherme como parte de uma política de segurança pública baseada na violência e impunidade. 

“Mais uma vez um alvo preferencial preto, pobre e periférico. Guilherme era inocente, mas mesmo que não fosse, não existe pena de morte no Brasil. O policial deve pagar por seu crime e a família dele (da vítima) precisa de reparação e acolhimento”, afirma.

O caso

A morte de Guilherme Dias dos Santos Ferreira ocorreu no dia 4 de julho, na Estrada Ecoturística de Parelheiros. A vítima havia terminado o expediente sete minutos antes do crime e estava a caminho do ponto de ônibus quando foi alvejada. 

O policial Fábio Anderson Pereira de Almeida disparou contra o jovem, que corria para alcançar o ônibus. A vítima carregava apenas uma marmita, talheres, uma bíblia e o uniforme de trabalho. O policial alegou ter confundido Guilherme com um ladrão.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), Almeida, que faz parte do 12º Batalhão de Polícia Militar, foi afastado do serviço operacional ontem.

O agente chegou a ser preso em flagrante por homicídio culposo no mesmo dia do homicídio, mas foi solto após o pagamento de fiança. O caso é investigado pelo Setor de Homicídio e Proteção à Pessoa (SHPP).

Ministério da Igualdade Racial aponta racismo sistêmico

 O Ministério da Igualdade Racial (MIR) se pronunciou sobre a morte de Guilherme Dias dos Santos Ferreira. Em nota oficial, a pasta repudiou o homicídio e destacou o racismo sistêmico nas abordagens policiais, que frequentemente tratam pessoas negras como criminosas em situações cotidianas.

“É recorrente que, quando a pessoa é negra, objetos como um guarda-chuva sejam erroneamente identificados como fuzil, ou um celular seja confundido com uma arma, ou que alguém correndo, independentemente do motivo, seja automaticamente considerado uma ameaça, resultando em disparos antes mesmo de qualquer averiguação adequada”, diz trecho do comunicado.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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