O Ministério do Turismo (MTur) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) lançaram o Guia do Afroturismo no Brasil – Roteiros e Experiências da Cultura Afro-Brasileira. A publicação reúne 43 experiências turísticas afrocentradas em todo o país e se insere no contexto do Programa Rotas Negras, instituído pelo Decreto nº 12.277/2024, voltado ao fomento de políticas públicas que reconheçam o papel da cultura negra no turismo nacional.
O lançamento ocorreu durante o evento “Turismo em Ação – Edição Pará”, na quinta-feira (10), onde o governo também anunciou obras de infraestrutura, sinalizações turísticas e linhas de crédito para o setor no estado que sedia a Conferência das Partes (COP30) em novembro. Participaram da cerimônia a ministra da Igualdade Racial em exercício, Roberta Eugênio, e o ministro do Turismo, Celso Sabino.
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Para Roberta Eugênio, o afroturismo se destaca por promover o reconhecimento da população negra como agente da economia criativa, além de garantir que suas memórias e tradições sejam visibilizadas no território nacional. “É um passo importante para reconhecer trabalhadores e trabalhadoras do turismo afro-brasileiro e valorizar o Brasil por todos os brasileiros”, afirmou em nota ministerial.
Celso Sabino classificou o guia como “um marco” que permitirá ampliar a visibilidade do patrimônio cultural afro-brasileiro e oferecer oportunidades econômicas a afroempreendedores, quilombolas e comunidades tradicionais.
Rotas e experiências com protagonismo negro
A publicação foi desenvolvida com apoio técnico da Unesco e é fruto do trabalho do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) Rotas Negras, formado por MIR, MTur, Ministério da Cultura (MinC), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O guia traz um diagnóstico do afroturismo no país, com base em escuta pública, levantamento de dados e curadoria de roteiros indicados por empreendedores negros, comunidades tradicionais e órgãos públicos. A seleção das 43 iniciativas considerou três critérios principais: atuação no Mapa do Turismo Brasileiro, protagonismo negro e regularidade no Cadastur.
A organização dos roteiros por macrorregião permite traçar um panorama da diversidade cultural afro-brasileira. O Nordeste e o Sudeste concentram o maior número de experiências, com 16 roteiros cada. O Norte aparece com cinco, seguido do Centro-Oeste, com quatro, e o Sul, com dois.
Entre os exemplos, estão circuitos por quilombos no Maranhão, feiras culturais em comunidades do Rio Grande do Norte, visitas a terreiros em Salvador, rotas de memória negra em São Paulo e vivências espirituais e gastronômicas em cidades da Amazônia.
Estratégia de enfrentamento ao racismo estrutural
Além de promover a economia do turismo e da cultura, o guia se articula com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, sobretudo o ODS 8 (trabalho decente e crescimento econômico) e o ODS 10 (redução das desigualdades). A proposta busca integrar iniciativas de valorização da memória afro-brasileira com ações concretas de combate ao racismo estrutural.
O conceito de afroturismo apresentado no documento aponta o segmento como ferramenta antirracista e pedagógica. Ao visitar espaços protagonizados por pessoas negras — como quilombos, terreiros, feiras gastronômicas, centros culturais e museus —, turistas se conectam a saberes, práticas e territórios que foram historicamente invisibilizados ou estigmatizados. Segundo a publicação, trata-se de “ressignificar a história do Brasil e promover a equidade no setor turístico”.