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Guia do Afroturismo no Brasil é lançado com 43 roteiros para valorizar cultura negra

Publicação do Ministério do Turismo e UNESCO mapeia experiências turísticas protagonizadas por comunidades negras em todas as regiões do país
Parque Memorial do Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, um dos destinos destacados no Guia do Afroturismo.

Parque Memorial do Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, um dos destinos destacados no Guia do Afroturismo.

— Rovena Rosa/Agência Brasil

12 de julho de 2025

O Ministério do Turismo (MTur) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) lançaram o Guia do Afroturismo no Brasil – Roteiros e Experiências da Cultura Afro-Brasileira. A publicação reúne 43 experiências turísticas afrocentradas em todo o país e se insere no contexto do Programa Rotas Negras, instituído pelo Decreto nº 12.277/2024, voltado ao fomento de políticas públicas que reconheçam o papel da cultura negra no turismo nacional.

O lançamento ocorreu durante o evento “Turismo em Ação – Edição Pará”,  na quinta-feira (10), onde o governo também anunciou obras de infraestrutura, sinalizações turísticas e linhas de crédito para o setor no estado que sedia a Conferência das Partes (COP30) em novembro. Participaram da cerimônia a ministra da Igualdade Racial em exercício, Roberta Eugênio, e o ministro do Turismo, Celso Sabino.

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Para Roberta Eugênio, o afroturismo se destaca por promover o reconhecimento da população negra como agente da economia criativa, além de garantir que suas memórias e tradições sejam visibilizadas no território nacional. “É um passo importante para reconhecer trabalhadores e trabalhadoras do turismo afro-brasileiro e valorizar o Brasil por todos os brasileiros”, afirmou em nota ministerial.

Celso Sabino classificou o guia como “um marco” que permitirá ampliar a visibilidade do patrimônio cultural afro-brasileiro e oferecer oportunidades econômicas a afroempreendedores, quilombolas e comunidades tradicionais.

Rotas e experiências com protagonismo negro

A publicação foi desenvolvida com apoio técnico da Unesco e é fruto do trabalho do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) Rotas Negras, formado por MIR, MTur, Ministério da Cultura (MinC), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O guia traz um diagnóstico do afroturismo no país, com base em escuta pública, levantamento de dados e curadoria de roteiros indicados por empreendedores negros, comunidades tradicionais e órgãos públicos. A seleção das 43 iniciativas considerou três critérios principais: atuação no Mapa do Turismo Brasileiro, protagonismo negro e regularidade no Cadastur.

A organização dos roteiros por macrorregião permite traçar um panorama da diversidade cultural afro-brasileira. O Nordeste e o Sudeste concentram o maior número de experiências, com 16 roteiros cada. O Norte aparece com cinco, seguido do Centro-Oeste, com quatro, e o Sul, com dois.

Entre os exemplos, estão circuitos por quilombos no Maranhão, feiras culturais em comunidades do Rio Grande do Norte, visitas a terreiros em Salvador, rotas de memória negra em São Paulo e vivências espirituais e gastronômicas em cidades da Amazônia.

Estratégia de enfrentamento ao racismo estrutural

Além de promover a economia do turismo e da cultura, o guia se articula com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, sobretudo o ODS 8 (trabalho decente e crescimento econômico) e o ODS 10 (redução das desigualdades). A proposta busca integrar iniciativas de valorização da memória afro-brasileira com ações concretas de combate ao racismo estrutural.


O conceito de afroturismo apresentado no documento aponta o segmento como ferramenta antirracista e pedagógica. Ao visitar espaços protagonizados por pessoas negras — como quilombos, terreiros, feiras gastronômicas, centros culturais e museus —, turistas se conectam a saberes, práticas e territórios que foram historicamente invisibilizados ou estigmatizados. Segundo a publicação, trata-se de “ressignificar a história do Brasil e promover a equidade no setor turístico”.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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