PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Brasil contabiliza 424 casos de violência contra indígenas em 2024

Segundo o Conselho Indigenista Missionário, a implementação do Marco Temporal contribuiu para a fragilização dos direitos indígenas
Indígenas do Povo Rikbaktsa na aldeia Barranco Vermelho, Terra Indígena Erikpatsa, na cidade de Brasnorte (MT).

Indígenas do Povo Rikbaktsa na aldeia Barranco Vermelho, Terra Indígena Erikpatsa, na cidade de Brasnorte (MT).

— Fernando Frazão/Agência Brasil

28 de julho de 2025

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) publicou, nesta segunda-feira (28), o relatório anual “Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil”, que reúne dados sobre as violações cometidas contra os povos originários.

O levantamento analisa dados de 2024 e é o primeiro realizado após a sanção da Lei 14.701/2023, conhecida como Marco Temporal.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Aprovada em dezembro de 2023, a legislação só admite a demarcação de terras indígenas que já estavam ocupadas ou eram disputadas pelas etnias até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. A lei teve trechos que dispõem sobre demarcações vetados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas foram incorporados pelo Congresso

Para o Conselho Indigenista, a implementação do Marco Temporal intensificou a fragilização dos direitos territoriais indígenas, além de gerar insegurança e fomentar conflitos. 

No período analisado, o relatório registrou 424 casos de violência contra indígenas. Do total, foram 211 assassinatos, 21 tentativas de homicídio, 39 casos de racismo, 55 ameaças, 20 ocorrências de violência sexual.

O Cimi descreve como “graves e numerosos” os ataques armados a comunidades indígenas em luta pela demarcação de suas terras e destaca os assassinatos da liderança Nega Pataxó Hã-Hã-Hãe e de Neri Ramos da Silva, morto durante uma operação policial contra uma retomada Guarani.

Mais de 30 ataques contra comunidades indígenas foram registrados em 2024, e ao menos 10 pessoas ficaram com projéteis alojados em seus corpos.

“Os casos têm relação direta com a fragilização dos direitos indígenas ocasionada pela Lei 14.701, reconhecida pela própria Funai”, declarou a CIMI, em nota.

O relatório também destaca as violências contra o patrimônio, que totalizaram 1.241 casos em 2024. Foram registrados 857 casos de omissão e morosidade na regularização de terras, além de 154 conflitos territoriais, atingindo comunidades de 19 estados.

As invasões possessórias e exploração ilegal de recursos naturais somaram 230 ocorrências em 159 terras indígenas de 21 estados. 

De acordo com o CIMI, 857 territórios possuem pendências administrativas para serem demarcados, das quais 555 não contam com nenhuma providência para o início de sua demarcação. 

Cerca 78 territórios indígenas que registraram conflitos relativos a direitos territoriais em 2024 não estão regularizados. As áreas concentram aproximadamente 65,5% de todos os casos. 

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano