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DJ Tamy Reis faz da discotecagem um ato político e de afirmação negra

DJ Tamy Reis compartilha sua trajetória não apenas como uma jornada profissional, mas como um ato político
A DJ Tamy Reis.

A DJ Tamy Reis.

— Daniel Pereira (@netodozuza)/Alma Preta

31 de julho de 2025

A DJ carioca Tamy Reis tem se destacado na cena musical ao utilizar a discotecagem como ferramenta de resgate cultural e afirmação da negritude.

Nascida e criada na zona norte do Rio de Janeiro, Tamy atua há mais de 20 anos na música. Seu trabalho passeia por diversos estilos, do funk, hip hop e black music até às sonoridades brasileiras, criando uma mistura que reflete tanto sua vivência como sua ancestralidade. 

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A ligação de Tamy com a música começou ainda na infância, por influência dos pais, ambos apaixonados por black music. Incentivada pela mãe, estudou teoria musical, piano, percussão, violão e se inseriu em diversos projetos musicais.

“Mesmo meus pais sendo separados, eram pessoas que consumiam e gostavam de música. Na época de adolescente, na igreja mesmo, eu tinha mania de mostrar os sons de rap para a galera da minha idade. E foi muito por influência dos meus amigos, até do meu ciclo de igreja, que eu virei DJ, por incrível que pareça. Eu levava os sons e eles diziam, Tamy, por que você não começa a ter esse lance de DJ?”, relembra.

Seu primeiro contato com o toca-discos aconteceu por meio de uma oficina de discotecagem do Projeto Repensando, iniciativa que abriu caminho para outras formações e marcou o início de sua trajetória como DJ. 

A DJ Tamy Reis tocando em um evento e expressando sua identidade também através do estilo. Foto: Acervo Pessoal

“Foi a partir desse movimento que eu de fato comecei a tocar nos eventos de basquete de rua e nos eventos de grafite. Fui fazer também oficina de discotecagem no Afroreggae durante um ano e estudei produção musical, discotecagem e gestão de carreira”, conta.

Para Tamy, sua trajetória também é influenciada por uma geração de mulheres que marcaram presença na música, como as DJs Elle Cabadu e Queen Latifah, além de outras no cenário do hip hop nos anos 1990. No entanto, sua principal referência veio de dentro de casa, por Áurea, amiga da família e figura que ela considera como uma tia.

“Minha tia Áurea foi a primeira DJ mulher do Rio de Janeiro, é importante falar isso. Ela é amiga dessa galera antiga, como DJ Corello e Marlboro, e ela teve um trabalho com rádio também, e pegava os discos para ir pra rua tocar”, afirma.

Cenário musical como ato político e cultural 

Nos palcos, Tamy traz consigo a sonoridade e ritmos econsidera a discotecagem também como um ato de manifestação política e cultural. Ela compartilha como o show em 2019 no Rock in Rio com a artista Lelezinha foi importante para expressar vivências, denunciar o racismo e afirmar a resistência das mulheres negras.

“Eupropus uma intervenção como DJ. Ela abriu o palco Sunset naquele ano e durante a apresentação cantou ‘It’s a Man’s World’, do James Brown, uma música um pouco machista. Transformamos esse momento e fizemos  um ato político na música, trocamos ‘man’ por ‘woman’ e inserimos um trecho de uma fala da Marielle Franco, que havia sido assassinada recentemente. Colocamos o áudio em que ela diz que não será silenciada no final da música e estendemos Sse posicionar politicamente, para mim, foi muito forte”, conta.

A artista se apresentou também em outros grandes festivais e eventos, como a Tardezinha, de Thiaguinho, e o Numanice, de Ludmilla. . Apesar das conquistas, Tamy destaca a importância de continuar lutando pela desconstrução do mercado musical, ainda marcado por desigualdades raciais e de gênero.

“Depois de quase 20 anos discotecando, consegui furar algumas bolhas pelo menos aqui dentro do Rio de Janeiro, nesses eventos mais elitizados, que eram muito orquestrados por gente branca, e são até hoje. Fico muito feliz de conseguir chegar aqui, mas eu tenho plena consciência que isso é mérito de um trabalho meu muito bem feito e com o pé muito no chão, entendendo os processos e merecimento também”, afirma.

Para Tamy, ampliar o acesso à discotecagem é importante para transformar o cenário musical. A partir disso, ela criou a Oficina de Discotecagem para Meninas, um projeto voltado à formação de novas DJs. Ela já realizou três edições do projeto que já colhe frutos, com outras jovens discotecando até mesmo fora do Brasil.

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  • Thayná Santana

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