As biblioteca digitais têm se consolidado como uma importante ferramenta de democratização do acesso à leitura, com impactos positivos que vão muito além, conforme destaca o professor Francisco Paletta em seu trabalho intitulado “Biblioteca Digital: Gestão da Tecnologia de Informação”, apresentado no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, em 2018.
Um deles é a redução de custos. Os ambientes de atendimento ao usuário estão mudando rapidamente para locais de pesquisa móveis, globais e virtuais, diversificados culturalmente, que são onerosos para manter e suportar. Através da consolidação de hardware, dos aplicativos e processos de suporte dentro de seus ambientes de trabalho, as bibliotecas digitais podem gerenciar e reduzir os custos de TI, ao mesmo tempo que aprimoram o retorno no investimento.
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As bibliotecas digitais estão buscando maneiras de aumentar a colaboração e o trabalho de equipe, através da criação de um ambiente de trabalho sem fronteiras, confiável e seguro, proporcionando a conexão e o acesso à informação a qualquer hora e de qualquer lugar, o que aumenta a produtividade dos profissionais da informação.
A falta de padronização dentro do ambiente computacional pode aumentar o tempo e os custos necessários para gerenciar e suportar este ambiente. Ao mesmo tempo, à medida que os ambientes de computação se tornam mais complexos, o nível de conhecimento e especialização necessários para oferecer suporte a eles aumenta.
As ferramentas de gestão do ciclo de vida de TI permitem a padronização da plataforma de hardware, redução de dispositivos redundantes, simplifica e automatiza os processos computacionais, além de gerenciar as funções de suporte e construir a flexibilidade e estabilidade que permite a criação das condições dinâmicas da gestão da informação digital.
Além disso, as bibliotecas digitais possibilitam uma construção em rede de possibilidades de acesso à uma vasta diversidade de conteúdos e informação, de forma mais rápida e num mesmo local, como podemos ver através de alguns exemplos de bibliotecas digitais pelo mundo.
Bibliotecas digitais na América Latina e na Europa
No Brasil, por exemplo, existe a BibliON que, de acordo com o relatório da Pesquisa Transversal de 2023, a média de livros lidos nos últimos três meses era de 7,4, acima da média de livros lidos em bibliotecas físicas (5,6), ou da população em geral, segundo a Pesquisa do Retratos da leituras (2,6).
Na Colômbia, há a G8 Bibliotecas, um projeto muito interessante que integra mais de 2 milhões de materiais biblográficos, com oito universidades aderentes e mais de 100 mil usuários. Além disso, a rede tem uma agenda cultural e de formação diversa e compartilhada, gerenciada pela própria rede.
A Fundação Memorial da América Latina tem a Biblioteca Latino-Americana Victor Civita, que dirige a Biblioteca Virtual da América Latina. Ela disponibiliza diversos conteúdos, tais como coleções de vídeos e acervo bibliográfico, incluindo links com publicações editadas e digitalizadas para o portal. A biblioteca possui também um diretório de eventos realizados pelo Memorial, um diretório de países que compõem a América Latina e um de sites selecionados e indexados sobre temáticas desse espaço geográfico.
A Europeana, por sua vez, é uma biblioteca virtual dirigida pela Fundação Europeana e co-financiada pela União Europeia (EU). Com sede na cidade de Haia, Holanda, foi disponibilizada ao público em 2008, com o objetivo de “disponibilizar o patrimônio cultural e científico dos 27 Estados-membros, em 29 línguas, com uma abrangência que vai da pré-história à atualidade.”.
Os países da União Europeia fornecem o seu acervo através das suas bibliotecas digitais à Europeana, por meio de agregação de conteúdos e, esta, por sua vez, disponibiliza em domínio público o património cultural da Europa a sua diversidade de acervo: jornais, livros, cartas, manuscritos, diários, documentos de arquivo, fotografias, pinturas, desenhos, mapas, imagens de desenhos de museus, programas televisivos, noticiários, filmes, esculturas, artesanato, músicas, discursos orais, discos, transmissões de rádio, partituras e registros musicais disponibilizados por bibliotecas e museus de toda a Europa. Em 2010, esse material de conteúdos já atingia a marca de 20 milhões de documentos digitalizados e mais de 20 mil organizações da União Europeia.
Outro bom exemplo vem da Alemanha. A Biblioteca Digital Alemã é uma rede de instituições culturais e científicas, que tem como finalidade dar acesso à memória e patrimônio cultural e científico da Alemanha. No ano de 2012 foi lançada a versão beta e disponibilizados mais de 5 milhões de registros de diferentes conteúdos (imagem, filme, texto, áudio), e em parceria com bibliotecas, museus, arquivos e cinematecas.
Em Portugal, existe a BiblioLED – Biblioteca Pública, uma biblioteca pública para a Leitura e o Empréstimo Digital gratuito de livros em suporte digital, das bibliotecas aderentes e pertencentes à Rede Nacional de Bibliotecas Públicas. Ela integra uma rede de 400 bibliotecas municipais.
Esses exemplos revelam os diversos impactos positivos que a biblioteca digital permite determinar. Como pudemos constatar, as bibliotecas digital permitem desenvolver inovação tecnológica colaborando com a redução de custos operacionais, a diminuição da complexidade tecnológica e o aumento da produtividade das equipes.
Nova forma de leitura
As bibliotecas digitais também permitem a criação de redes de compartilhamento de dados, acervo e outros conteúdos, o que traz benefícios em termos de acessibilidade para os usuários, permitindo uma redução de tempo de recuperação da informação, acesso diversificado de diferentes mídias programadas em um único lugar, assim como ao acesso a uma vasta e diferente rede de outras bibliotecas e seus conteúdos em uma única plataforma.
Essa dinâmica e tendência atual das bibliotecas digitais pode resultar em uma nova forma de ler e de formar novos leitores em todo o mundo. Dados de pesquisas têm mostrado que há uma tendência de que as bibliotecas digitais facilitem o acesso à leitura, o que pode contribuir para que mais leitores possam ler mais livros.
Outro impacto positivo é o tempo de trabalho de pesquisas mais aprofundado, trazendo mais insights de dados das diferentes comunidades leitoras em ambientes digitais conectados com bibliotecas. Isso nos fará compreender melhor esse novo paradigma de leitura e os impactos positivos oferecidos pelas bibliotecas digitais.