O cantor, compositor e diretor artístico Damasceno Gregório dos Santos, conhecido como Mestre Damasceno, morreu na manhã desta terça-feira (26), aos 71 anos, em Belém. A informação foi confirmada por familiares. O artista estava internado desde 22 de junho, tratando de complicações causadas por um câncer em estado de metástase no pulmão, fígado e rins.
A morte aconteceu na mesma data em que é celebrado o Dia Municipal do Carimbó, manifestação cultural pela qual Mestre Damasceno era reconhecido.
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Damasceno se tornou uma referência no carimbó e símbolo da cultura marajoara, nasceu em 1954, na Comunidade Quilombola do Salvá, em Salvaterra (PA), no arquipélago do Marajó. Foi o criador do Búfalo-Bumbá de Salvaterra, uma festa junina popular que une elementos da cultura indígena e quilombola, reforçando as tradições locais do Marajó.
Em 2023, sua obra foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará, e no ano seguinte, ele foi condecorado com a Ordem do Mérito Cultural, uma das maiores honrarias concedidas pelo Ministério da Cultura.
Mestre Damasceno também foi um dos homenageados da 28ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, em Belém. Durante o evento, foi lançado o livro “Mestre Damasceno e as Cantorias do Marajó”, voltado ao público infantil, com relatos de sua vida e obra.
No Carnaval, a escola de samba Paraíso da Tuiuti prestou uma homenagem à sua trajetória na Marquês de Sapucaí. Também participou do carnaval do Rio de Janeiro em 2025 e foi um dos autores do samba-enredo da Grande Rio, “Pororocas Parawaras: As águas dos meus encantos nas contas dos Curimbós”, em parceria com compositores paraenses.
Com mais de 400 composições autorais e seis álbuns gravados, Mestre Damasceno deixa um legado cultural, sendo reconhecido como uma das maiores expressões da música e da cultura popular do Norte do Brasil.
Governo do Pará lamenta perda
Em nota, o governo do Estado do Pará decretou luto oficial de três dias.
“É com grande tristeza que recebemos a notícia da morte do querido Mestre Damasceno. Foi uma honra homenageá-lo em vida na Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes deste ano. Seu legado na cultura paraense é imensurável e seguirá tocando gerações”, afirmou o governo em trecho do texto.