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Ópera ganha versão brasileira com elenco majoritariamente negro em São Paulo

Espetáculo adaptado à realidade brasileira apresenta repertório lírico que reúne clássicos do jazz e folk no Theatro Municipal de 19 a 27 de setembro
O cenário da montagem “Porgy and Bess” que estreia 19 de setembro no Theatro Municipal em São Paulo.

O cenário da montagem “Porgy and Bess” que estreia 19 de setembro no Theatro Municipal em São Paulo.

— Divulgação/Theatro Municipal de São Paulo

6 de setembro de 2025

O Theatro Municipal de São Paulo apresenta de 19 a 27 de setembro um dos maiores clássicos do repertório lirico internacional do século XX, “Porgy and Bess”, de George Gershwin. A montagem, que reúne um elenco majoritariamente composto por artistas negros, propõe uma leitura brasileira da ópera norte-americana.

Considerada uma obra que transita entre o jazz, a música folk, o teatro dramático e a música clássica, Porgy and Bess narra as dores, paixões e desafios dos moradores de Catfish Row. No centro da trama estão Porgy, um homem humilde com deficiência física, e Bess, uma mulher em busca de redenção após uma vida marcada por perdas e provações.

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Nesta nova versão, a direção é assinada por Grace Passô, uma das principais vozes do teatro contemporâneo brasileiro e a primeira dramaturga negra a vencer o Prêmio Shell de Teatro. A diretora insere elementos do contexto cultural e das comunidades periféricas brasileiras na encenação, aproximando o enredo de realidades locais. 

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão: “Por Elise”, do Grupo Espanca!; “Vaga Carne, Herança”, com Maurício Tizumba; “Pretoperitamar”, sobre Itamar Assumpção; e “O Fim e Uma Outra Coisa”, com Zora Santos.

A concepção cenográfica é de Marcelino Melo, conhecido como Quebradinha, artista plástico, figurinista e cenógrafo reconhecido por sua obra que mescla arte popular e o imaginário afro-brasileiro. Sua estética é marcada pelas miniaturas de favelas, que retratam os becos, casas e paisagens urbanas brasileiras.

Composta em 1935, Porgy and Bess foi concebida por Gershwin como uma “ópera folclórica americana”. No Brasil, o título teve uma montagem marcante em 1992 no próprio Theatro Municipal, com um elenco majoritariamente negro vindo da Ópera de Virgínia, que passou por Argentina, Uruguai e encerrou temporada em São Paulo.

Clássicos como “Summertime”, eternizados por vozes como Billie Holiday, Janis Joplin, Louis Armstrong e Ella Fitzgerald, “My Man’s Gone Now” e “I Got Plenty o’ Nuttin” fazem parte da trilha sonora da obra.

O espetáculo contará ainda com a participação especial do Coro Porgy and Bess, formado por integrantes do Coro Lírico Municipal, Coral Paulistano e artistas convidados. Esses grupos estarão sob a regência da maestra Maíra Ferreira, que será responsável pela fusão dessas formações corais. 

Os ingressos custam de R$ 33 a R$ 210 e duração de aproximadamente 230 minutos, com intervalo.

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  • Thayná Santana

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