Nos últimos 40 anos, a Amazônia, maior bioma do país, perdeu cerca de 52 milhões de hectares de área de vegetação nativa, o equivalente a 13% de sua formação. A informação é do levantamento do MapBiomas, divulgado nesta segunda-feira (15).
O relatório, feito a partir de análise de imagens de satélites, mapeia as transformações na cobertura vegetal e o uso da terra na Amazônia, entre os anos de 1985 e 2024.
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De acordo com o documento, a redução ocorreu principalmente nas áreas de florestas. As formações florestais perderam 49,1 milhões de hectares em todo o período observado, sendo 81% em regiões de vegetação primária.
Somente em 2024, o bioma perdeu 18,7% da vegetação nativa. Do total,
15,3% se refere a atividades antrópicas, como pecuária, agricultura e mineração. Desde o início do período histórico, a área para uso humano aumentou 471%.
Entre os usos antrópicos listados pelo documento, a pastagem aparece como o principal, representando 13,3% do total. O uso para pasto também se destacou como a modalidade que mais expandiu, saltando de 12,3 milhões de hectares em 1985 para 56,1 milhões de hectares em 2024 — um crescimento de 355%.
A silvicultura, prática voltada ao cultivo florestal, obteve um aumento de mais de 110 vezes em 40 anos, somando 352 mil hectares em 2024. No mesmo período, a região utilizada pela agricultura passou de 180 mil hectares para 7,9 milhões, com destaque para o aumento das lavouras de soja.
Segundo o levantamento, a Amazônia brasileira está se aproximando do percentual de 20% a 25% de perda da vegetação nativa, considerada por cientistas como o ponto de não retorno do bioma, do qual a floresta não consegue se regenerar.
“Já podemos perceber alguns dos impactos dessa perda de cobertura florestal, como nas áreas úmidas do bioma. Os mapas de cobertura e uso da terra na Amazônia mostram que ela está mais seca”, declara Bruno Ferreira, especialista do MapBiomas, em nota à imprensa.