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Pernambuco lança concurso de fotografia negra com prêmios em dinheiro

Iniciativa vai premiar 20 artistas negros do estado com R$ 12,5 mil no total; inscrições seguem até 6 de outubro
Os rostos de uma jovem e um jovem negros, deitados na grama.

Os rostos de uma jovem e um jovem negros, deitados na grama.

— Divulgação/Ronald Cruz

21 de setembro de 2025

O concurso “Foto Preta: mostra da fotografia negra de Pernambuco” abre espaço para fotógrafos amadores, profissionais, iniciantes ou simplesmente apaixonados por registrar a vida com câmeras profissionais ou celulares.  A convocatória abrange moradores dos 184 municípios do estado, distribuídos nas regiões da Zona da Mata, Agreste, Sertão, São Francisco e Região Metropolitana do Recife. Os interessados em participar devem realizar inscrições até o dia 6 de outubro, por meio de formulário on-line.

O concurso vai distribuir R$ 12,5 mil em prêmios e selecionar 20 artistas para uma exposição coletiva marcada entre 17 de novembro e 17 de dezembro na Galeria Capibaribe, no Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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O projeto tem como objetivo difundir a produção fotográfica negra contemporânea no estado, estimulando novas pesquisas e valorizando a imagem como ferramenta de memória e ancestralidade

A curadoria vai se orientar pelos quatro elementos da natureza, como fogo, terra, água e ar, em busca de trabalhos que expressem espiritualidade, permanência e reinvenção da presença preta.

“A fotografia, quando feita por mãos e olhares pretos, não é apenas registro. Ela é um corpo de memória, um arquivo vivo que conecta passado, presente e futuro. O Foto Preta nasce para afirmar isso: que nossa imagem é também nossa herança”, afirma Ronald Cruz, idealizador e coordenador da mostra.

Segundo Cruz, a iniciativa responde a uma necessidade histórica de abrir espaço para vozes negras no campo da fotografia, ainda marcado pela desigualdade de oportunidades. “Queremos que a periferia, o interior, as quebradas e os quilombos sejam vistos a partir de quem vive nesses lugares. É sobre autorrepresentação, sobre devolver a narrativa ao povo preto de Pernambuco, completa.

Quem pode se inscrever no concurso?

Podem se inscrever pessoas maiores de 18 anos, nascidas ou residentes em Pernambuco, que se autodeclarem negras (pretas ou pardas). Todos os 20 selecionados receberão premiação em dinheiro, somando um valor total de R$ 12,5 mil. 

Os três primeiros lugares, escolhidos pela curadoria, receberão R$ 1.500, R$ 1.300 e R$ 1.000, respectivamente. Um prêmio de R$ 800 será concedido por votação popular no Instagram, enquanto os demais participantes terão direito a R$ 500 cada.

Para o idealizador da iniciativa, mais do que a quantia em si, o apoio representa um estímulo simbólico e prático para que artistas negros avancem em suas pesquisas fotográficas. “Muitos jovens talentosos deixam de seguir na fotografia por falta de reconhecimento ou recursos. Esse prêmio é um empurrão para dizer: continuem. Suas histórias, suas memórias e seus olhares importam”, destaca.

O processo seletivo será realizado em duas etapas: análise preliminar e avaliação de mérito artístico-cultural. Entre os critérios estão originalidade, criatividade e relevância social. 

A comissão também adota indutores sociais para ampliar a diversidade, assegurando a participação de mulheres cis e trans, pessoas LGBTQIAPN+, com deficiência e oriundas de todas as regiões do estado.

O resultado será divulgado até 17 de outubro de 2025. Para mais informações, consulte o edital.

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  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

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