Treze militares das Forças Armadas do Brasil participam de preparação para integrar a Missão de Estabilização das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO). Do total, 11 são do Exército, um da Marinha e um da Força Aérea.
A operação, considerada uma das maiores em efetivo e orçamento da Organização das Nações Unidas (ONU), atua no país africano desde 2010 com o objetivo de proteger civis, apoiar o governo congolês na estabilização do país e enfrentar os impactos de uma prolongada crise humanitária.
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A preparação foi dividida em duas fases. A primeira ocorreu entre 1 e 12 de setembro, no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus. Nessa etapa, os militares tiveram ambientação e padronização de procedimentos.
A segunda acontece de 15 a 26 de setembro no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), no Rio de Janeiro, onde recebem conteúdos exigidos pela ONU e passam por inspeção de saúde.
O foco do treinamento é o desenvolvimento de técnicas, táticas e procedimentos em operações em ambiente de selva, além do fortalecimento da cooperação com forças armadas de outros países. O Brasil destaca-se nesse tipo de operação por meio de seu corpo de “guerreiros de selva”, reconhecidos internacionalmente.
A missão da ONU
A MONUSCO cumpre mandato do Conselho de Segurança da ONU, que prevê apoio à proteção de civis e de agentes humanitários, além da promoção de esforços de paz e estabilização. Suas ações são complementares às atividades de agências humanitárias das Nações Unidas, que oferecem apoio educacional, vacinação, alimentação e abrigo para deslocados pela violência.
A presença da ONU na RD Congo remonta a 1960, logo após a independência do país em relação à Bélgica, quando foram lançadas as primeiras ações de assistência humanitária.
A crise no leste da República Democrática do Congo tem raízes no genocídio de 1994 em Ruanda, que desencadeou fluxos de violência transfronteiriços. Desde então, grupos armados têm protagonizado confrontos que incluem massacres e violações de direitos humanos. Um dos marcos na tentativa de responsabilização foi o julgamento de Sheka, líder de milícia condenado por crimes de guerra, incluindo o uso sistemático do estupro.
A exploração de recursos minerais é apontada como combustível do conflito. Ouro, diamantes, coltan, estanho, tântalo e tungstênio estão entre os recursos extraídos e comercializados para financiar grupos armados. Esses minerais são essenciais para a indústria global, incluindo a fabricação de telefones celulares e dispositivos eletrônicos.
Relatórios do Conselho de Segurança das Nações Unidas indicam que o controle dessas riquezas tem ampliado a violência na região, alimentando um ciclo de instabilidade que afeta milhões de civis.