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Apenas 41% dos negros brasileiros já se consultaram com o médico dermatologista, diz estudo

Estudo nacional revela desigualdade de raça e renda no acesso à consulta com o médico dermatologista; somente 12% da população foi ao especialista no último ano
Imagem em plano fechado mostra o rosto de uma mulher negra.

Imagem em plano fechado mostra o rosto de uma mulher negra.

— Reprodução/Freepik

26 de outubro de 2025

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) em parceria com a divisão de Beleza Dermatológica do Grupo L’Oréal no Brasil lançaram o dossiê “Brasil à Flor da Pele”, que investiga os hábitos de cuidado com a pele da população brasileira e destaca a importância da dermatologia para a saúde, autoestima e bem-estar. A iniciativa reforça a necessidade de ampliar o acesso à especialidade que cuida da pele, maior órgão do corpo humano.

O estudo, realizado pelo Instituto Datafolha em 136 municípios de todas as regiões do país, traz dados inéditos e mostra um Brasil atento, mas ainda distante do cuidado especializado. O levantamento aponta que uma em cada quatro pessoas não sabe que o dermatologista é médico e apenas 12% dos brasileiros se consultaram com um médico dermatologista no último ano.

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Segundo o levantamento, 58% das pessoas brancas já foram a uma consulta com o médico dermatologista, contra 41% das pessoas negras. Além disso, a renda é um forte preditor de acesso, já que as classes A e B (69% e 66%, respectivamente) apresentam taxas significativamente maiores de acesso à especialidade do que as classes C (46%) e D/E (32%).

Entre os jovens de 16 a 24 anos, 70% nunca passaram por atendimento dermatológico, mesmo sendo o grupo mais afetado por acne e suas consequências emocionais. Outro dado relevante mostra que 86% entendem que problemas dermatológicos devem ser tratados por um especialista, enquanto 43% raramente observam pele, cabelos e unhas em busca de sinais de doença. Entre os homens, apenas 37% já consultaram um dermatologista, contra 55% das mulheres.

“Precisa estar muito claro para a população que o dermatologista é médico. O cuidado com a pele vai muito além da estética: envolve saúde, diagnóstico e tratamento de doenças. No entanto, ainda vemos muitas pessoas sendo atendidas por profissionais sem formação em medicina, o que coloca vidas em risco. Nosso papel como entidade médica é alertar: sempre verifique se o profissional é médico, com CRM ativo, ou seja, se tem o registro no Conselho Regional de Medicina e Registro de Qualificação de Especialista (RQE). Essa é uma das mensagens centrais que queremos levar à sociedade com o lançamento deste Dossiê”, diz o médico dermatologista Dr. Carlos Barcaui, presidente da SBD.

Procedimentos invasivos exigem preparo médico e atenção da população

Embora cuidados e doenças da pele sejam as atribuições mais conhecidas da prática dermatológica (86%), aproximadamente 50% da população ainda desconhece que o dermatologista também realiza cirurgias na pele e trata de doenças capilares, além de cuidar das unhas e mucosas na sua rotina de atendimento a pacientes.

Para Barcaui, é fundamental conscientizar a população sobre os riscos envolvidos em procedimentos invasivos. “Preenchimentos, toxina botulínica, lasers, peelings profundos e bioestimuladores, apesar de não serem cirurgias, são procedimentos invasivos que envolvem riscos reais. Quando mal indicados ou realizados por pessoas sem formação médica, podem causar consequências graves e permanentes ou até mesmo levar a óbito caso não sejam tratadas de imediato. O médico dermatologista é o profissional com formação específica para avaliar a pele, indicar o melhor tratamento e, principalmente, prever e tratar possíveis complicações”, alerta o presidente da SBD.

O médico dermatologista reforça ainda que, mais do que uma questão estética, esse é um tema de saúde pública. O paciente deve fazer check-up anual, uma forma eficaz de prevenir e tratar precocemente doenças graves, como o câncer de pele.

“O Brasil ainda convive com desigualdades históricas de acesso à dermatologia, especialmente entre homens, jovens e a população negra. Essas desigualdades não impactam apenas o acesso aos serviços, mas também à informação, por isso é importante reforçar que o médico dermatologista é o profissional capacitado para cuidar não só da pele, mas também dos cabelos, das unhas e mucosas”, explica Barcaui. “Os dados do dossiê Brasil à Flor da Pele mostram que há interesse e atenção da população, mas falta orientação qualificada”, conclui.

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