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Levantamento: 29 terras indígenas poderiam ser demarcadas na Amazônia durante a COP30

Coiab cobra homologação imediata de territórios indígenas já em fase de declaração. Segundo a organização, falta vontade política em demarcar as terras
Placa dizendo “Proibido entrada de pessoa estranha” na entrada da comunidade indígena Aldeia Tenharin Marmelo, no Amazonas, em 18 de setembro de 2022.

Placa dizendo “Proibido entrada de pessoa estranha” na entrada da comunidade indígena Aldeia Tenharin Marmelo, no Amazonas, em 18 de setembro de 2022.

— Michael Dantas/AFP

10 de novembro de 2025

Um levantamento realizado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) aponta que, no Brasil, 29 Terras Indígenas da Amazônia já cumprem todos os critérios técnicos e jurídicos para serem homologadas de imediato.

A pesquisa, feita a partir de informações públicas da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), destaca que, no contexto da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), o Brasil tem uma grande oportunidade de demonstrar sua liderança climática global ao demarcar definitivamente esses territórios.

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Essas terras já se encontram na fase de declaração, etapa que antecede a homologação presidencial e o registro em cartório e na Secretaria de Patrimônio da União (SPU), última etapa do processo de regularização. Além delas, outras nove terras estão delimitadas e 75 ainda em estudo, totalizando 113 territórios com processos ativos na Amazônia Legal.

Entre as terras que aguardam demarcação está a Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana, localizada no Pará e habitada pelos povos Kaxuyana e Tunayana. A comunidade aguarda há 22 anos pelo reconhecimento oficial do Estado. 

“A homologação dessas terras representaria um gesto político de alcance global e uma mensagem clara na COP30: o Brasil está pronto para liderar o novo tempo da ação climática, com a floresta em pé e os povos indígenas no centro das soluções”, diz a Coiab em nota à imprensa. 

O estudo destaca que a lentidão no reconhecimento territorial afeta diretamente as metas climáticas do Brasil. As Terras Indígenas são vitais para o equilíbrio do clima, porque onde há território protegido, a floresta permanece viva.

Para a organização, destravar os processos demarcatórios durante a COP30 seria um gesto político de responsabilidade global e uma medida histórica de reparação de direitos. 

A Coordenação apresentará o levantamento na Aldeia Cop e Cúpula dos Povos, espaço próprio dentro da COP30, que iniciou nesta segunda-feira (10) e ocorre até o dia 20 de novembro, em Belém. A expectativa é que o governo brasileiro e os órgãos responsáveis apresentem um plano emergencial de homologações.

“Os territórios amazônicos de fronteira não são apenas áreas ambientais, são linhas vivas de soberania e proteção nacional. Neles, a presença de povos indígenas e comunidades tradicionais fortalece o país e defende suas fronteiras. Garantir políticas de Estado para essas regiões é assegurar segurança, dignidade e paz a quem as habita, prevenindo invasões e conflitos que ameaçam o futuro da Amazônia e do Brasil”.

O que é a COP?

A COP, ou Conferência das Partes, é um órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), composta por 197 países. A entidade é o principal espaço deliberativo da ONU para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.

O encontro acontece desde 1995 e teve sua primeira edição em Berlim, na Alemanha. Neste ano, a COP chega à sua 30a edição e acontece pela primeira vez no Brasil, em Belém (PA).

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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