A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) é caracterizada pela forte presença da sociedade civil e dos movimentos sociais do Brasil. Entre essas, as organizações do movimento negro chegam a Conferência a partir de uma atuação coletiva. Esse processo é um dos objetivos que a Fundação Ford vem apoiando de forma direta, por meio de formações que acontecem desde o Fórum dos Afrodescendentes de 2024.
No primeiro dia da COP30, 10 de novembro, aconteceu o encontro formativo liderado pelo facilitador indicado pela Fundação. Além da Alma Preta, estiveram presentes as organizações Criola, Observatório da Branquitude, Perifa Connection, CEERT, Perifa Sustentável, Centro Brasileiro de Justiça Climática, Redes da Maré e Geledés – Instituto da Mulher Negra. Com mulheres negras em maioria, o tema mais debatido foi a importância da articulação coletiva sobre pautas primordiais para população negra no Brasil.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Em conversa com a equipe da Alma Preta, Ester Sena, assessora de Clima e Juventude do Geledés – Instituto da Mulher Negra, ressalta que os treinamentos são importantes para atuação em rede, pois permitem organização coletiva e sintonia entre as atrizes e atores, para que a população afrodescendente cada vez mais seja reconhecida dentro das negociações. “Para este ano, temos a carta desenvolvida pela Coalizão Negra por Direitos, sendo essa a nossa maior arma coletiva”, afirma.
De acordo com Ester, devido ao evento global ocorrer no Brasil, é a primeira vez que tantas organizações negras são credenciadas para acessar todos os espaços da conferências. Por isso, ela ressalta que os treinamentos ajudam a entender como funciona esse imenso e desafiador espaço e quais as formas de participação e incidência. “A UNFCCC tem um modo operante específico, e para que nossa atuação alcance os resultados esperados, é preciso compreender como esse sistema funciona”, completa a assessora.
Assim como o Geledés, representado por Ester, outra organização presente no treinamento foi o CEERT, que completou 35 anos durante a COP e que esteve presente em Bonn, na SB62. Durante o encontro, a pesquisadora do CEERT Giselle dos Anjos conversou com a agência e ressaltou a importância do treinamento e como ele apoia a mesma em sua atuação coletiva.
De acordo com ela, o treinamento foi muito importante para alinhar e desenvolver uma estratégia de atuação comum entre as organizações negras, tendo em vista que cada organização tem um enfoque específico articulado com as suas áreas de atuação, definir também uma estratégia comum, fortalece significativamente a luta antirracista na agenda da COP30.
Por fim, a pesquisadora ressalta que a formação ajudou a organização no fortalecimento da atuação em rede, o qual é o formato priorizado ao longo das mais de três décadas de trajetória do CEERT. “Vamos seguir nessa toada durante a COP30 para enegrecer a luta por justiça climática”, completa Giselle.
O que é a COP?
A COP, ou Conferência das Partes, é um órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), composta por 197 países. A entidade é o principal espaço deliberativo da ONU para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.
O encontro acontece desde 1995 e teve sua primeira edição em Berlim, na Alemanha. Neste ano, a COP chega à sua 30ª edição e acontece pela primeira vez no Brasil, em Belém (PA).