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Empreendimentos de petróleo e gás podem afetar 84 terras indígenas, diz relatório

Segundo pesquisa da Apoinme, 22 dos 102 empreendimentos marítimos (offshore) de exploração de petróleo ou gás estavam com as licenças ambientais vencidas
Três pessoas indígenas da etnia Mayuruna, na aldeia Marajaí, em Alvares (AM), no dia 16 de abril de 2025.

Três pessoas indígenas da etnia Mayuruna, na aldeia Marajaí, em Alvares (AM), no dia 16 de abril de 2025.

— Michael Dantas/AFP

16 de novembro de 2025

Um levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) indica que, no Brasil, 84 Terras Indígenas (TIs) podem ser impactadas por empreendimentos de exploração de petróleo ou gás natural.

O estudo foi realizado com dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e informações dos territórios das comunidades originárias.

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Segundo a Apoinme, foram identificados 423 empreendimentos do gênero, dos quais 296 estão em produção e 56 em fases de teste ou desenvolvimento. A entidade aponta que os índices demonstram a expansão da exploração de petróleo e gás natural no país. 

Entre as terras que podem ser atingidas pelas empresas de exploração, 65 são costeiras, localizadas em municípios de frente para o mar. Em outras 44 terras indígenas, o Estado brasileiro não iniciou nenhuma etapa do processo de demarcação.

A pesquisa ainda analisou a situação do licenciamento ambiental das empresas em produção, teste e desenvolvimento. Cerca de 22 dos 102 empreendimentos marítimos (offshore) estavam com as licenças ambientais vencidas. De acordo com a entidade, não foi possível encontrar informação de 42 empresas. Dos 249 empreendimentos terrestres, o levantamento não obteve informações sobre o licenciamento de 164.

A Apoinme alerta que os impactos gerados já foram amplamente denunciados por lideranças indígenas, que relataram o impedimento de uso e acesso a partes do território onde passam poços terrestres e tubulações de gás e o aumento de pessoas desconhecidas nas aldeias para a instalação e manutenção. Também foram relatados problemas de saúde física e mental.

Entre os testemunhos, a organização destaca os relacionados ao crime de derramamento de petróleo, ocorrido em 2019, que atingiu diversas comunidades costeiras em todos os estados do Nordeste e no Espírito Santo. A articulação defende a urgência na demarcação das terras para garantir o direito territorial indígena e seus modos de vida.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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