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Nigéria nega ameaça militar dos EUA e anuncia diálogo de segurança com Washington

Chanceler nigeriano descarta intervenção militar após ameaças de Trump, mas confirma que os dois países discutem colaboração em segurança
O ministro das Relações Exteriores da Nigéria, Yusuf Tuggar, discursa durante uma coletiva de imprensa conjunta com seu homólogo alemão em 4 de novembro de 2025, no Ministério das Relações Exteriores em Berlim, Alemanha.

O ministro das Relações Exteriores da Nigéria, Yusuf Tuggar, discursa durante uma coletiva de imprensa conjunta com seu homólogo alemão em 4 de novembro de 2025, no Ministério das Relações Exteriores em Berlim, Alemanha.

— Odd Andersen/AFP

18 de novembro de 2025

A Nigéria mantém negociações com os Estados Unidos após o presidente Donald Trump ameaçar uma intervenção militar no país sob o argumento de que cristãos estariam sendo assassinados por “radicais islamistas”. A informação foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores da Nigéria, Yusuf Tuggar, em entrevista em Abuja.

Trump havia anunciado, no fim de outubro, que recolocaria a Nigéria na lista de Países de Preocupação Particular (CPC), classificação atribuída pelos EUA a nações acusadas de violações à liberdade religiosa. Ele também afirmou ter solicitado ao Pentágono um plano de ataque.

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Segundo Tuggar, a avaliação de Washington se baseia em informações distorcidas. “Há um movimento que impulsiona narrativas falsas para prejudicar a Nigéria”, afirmou o chanceler, ao ressaltar que o país enfrenta múltiplas crises de segurança que afetam tanto cristãos como muçulmanos.

O ministro reconheceu a gravidade da situação interna, marcada por insurgências jihadistas e ações de grupos armados, mas negou que exista uma política de perseguição direcionada a cristãos. Ele afirmou que o governo trabalha para conter a violência e que oscilações nos avanços se devem “a fatores externos”, e não à falta de ação das autoridades nigerianas.

Pressão internacional

A ameaça feita por Trump alimentou tensões diplomáticas às vésperas de uma audiência no Subcomitê sobre África da Câmara dos Representantes dos EUA, que revisará a decisão americana de classificar a Nigéria como CPC. Abuja espera que o país tenha “uma audiência justa”. 

A diplomacia nigeriana argumenta que o quadro é mais complexo do que a narrativa de perseguição religiosa sugere. O país, dividido quase igualmente entre população cristã e muçulmana, enfrenta há mais de uma década conflitos que já deixaram mais de 40 mil mortos e milhões de deslocados, com impactos também nos países vizinhos e na região do Lago Chade.

Tuggar reforçou que não acredita na possibilidade real de um ataque militar dos EUA. Para ele, o diálogo avançou e agora se concentra em formas de cooperação em segurança. “O que discutimos é como colaborar para enfrentar desafios que interessam ao planeta inteiro”, declarou.

O ministro afirmou que a Nigéria aceita parcerias internacionais, mas assegurou que a liderança das operações deve permanecer sob comando nigeriano. Ele classificou o episódio como “um pequeno solavanco” em uma relação histórica com os Estados Unidos.

No momento em que Trump trouxe o tema a público, a Nigéria estava sem embaixador nos Estados Unidos, pois o presidente Bola Tinubu havia chamado de volta quase todo o corpo diplomático em 2023 para reestruturação. Mesmo assim, Tuggar garantiu que o país possui “mãos competentes” para conduzir as negociações.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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