PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Torcedor que vira estátua na Copa transforma Patrice Lumumba em símbolo das arquibancadas

Michel Kuka Mboladinga, conhecido como "Lumumba Vea", acompanha os jogos da RD Congo imóvel nas arquibancadas e leva para o Mundial a memória de uma das figuras centrais da independência congolesa
Michel Nkuka Mboladinga, torcedor do Congo, posa vestido como Patrice Lumumba, herói da independência do país assassinado, e reage antes da partida de futebol do Grupo K da Copa do Mundo entre Colômbia e Congo em Zapopan, perto de Guadalajara, México, na terça-feira, 23 de junho de 2026.

Michel Nkuka Mboladinga, torcedor do Congo, posa vestido como Patrice Lumumba, herói da independência do país assassinado, e reage antes da partida de futebol do Grupo K da Copa do Mundo entre Colômbia e Congo em Zapopan, perto de Guadalajara, México, na terça-feira, 23 de junho de 2026.

— AP Photo/Natacha Pisarenko

24 de junho de 2026

A derrota da República Democrática do Congo para a Colômbia por 1 a 0, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, teve um personagem que chamou atenção na plateia: uma estátua de Patrice Lumumba.

Nas arquibancadas do estádio em Guadalajara, no México, Michel Kuka Mboladinga permaneceu de pé, imóvel e em silêncio durante toda a partida, repetindo um gesto que já o tornou conhecido entre torcedores do continente africano.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Conhecido como “Lumumba Vea”, Mboladinga transformou sua presença nos estádios em uma homenagem permanente a Patrice Lumumba, líder da independência congolesa e primeiro chefe de governo do país após o fim do domínio colonial belga. Enquanto milhares de torcedores cantam, gritam e celebram durante as partidas, ele escolhe a imobilidade como forma de manifestação.

Vestido com terno e gravata, o torcedor reproduz a postura da estátua de Lumumba localizada em Kinshasa, capital da RD Congo. A performance atravessou fronteiras durante a Copa Africana de Nações (CAF) e agora ganhou projeção global com a participação da seleção congolesa no Mundial.

A homenagem que ultrapassa o futebol

Para parte dos congoleses, a presença de “Lumumba Vea” nas arquibancadas representa mais do que apoio esportivo. O gesto funciona como uma forma de manter viva a memória de uma figura associada à luta pela autodeterminação do país.

A participação do torcedor na Copa chegou a ficar ameaçada. Ele não conseguiu acompanhar a estreia da RD Congo contra Portugal, que terminou empatada em 1 a 1, por causa de restrições sanitárias ligadas aos protocolos adotados após um surto de ebola no país. Mboladinga precisou cumprir quarentena antes de viajar ao México e só conseguiu chegar a tempo da segunda rodada.

Sua chegada ao estádio em Guadalajara foi recebida com expectativa por torcedores congoleses, que já o conheciam por aparições anteriores em competições continentais. 

Por vezes, Mboladinga leva uma de suas mãos a boca e a outra imita uma arma, gestos simbolizando a censura do assassinato de Patrice Lumumba.

Leia mais:  Quem foi Patrice Lumumba, revolucionário homenageado na Copa Africana por torcedor ícone da RD Congo

Quem foi Patrice Lumumba

A escolha de Patrice Lumumba como referência não é casual. Considerado uma das principais lideranças políticas da história congolesa, ele teve papel central no processo que levou a então colônia belga à independência, em 1960.

Lumumba assumiu o cargo de primeiro-ministro logo após a independência, mas permaneceu poucos meses no poder. Em meio às disputas da Guerra Fria, enfrentou oposição interna e externa. Preso, foi executado em janeiro de 1961, aos 35 anos.

Investigações e documentos divulgados ao longo das décadas apontaram o envolvimento de autoridades belgas e a participação de interesses ligados aos Estados Unidos em sua eliminação política. A justificativa apresentada à época era a suposta proximidade de Lumumba com a União Soviética.

Após sua morte, o corpo foi destruído para impedir a criação de um local de peregrinação política. A tentativa, porém, não apagou sua influência. Lumumba passou a ocupar um lugar de destaque na memória política africana e tornou-se referência para movimentos anticoloniais em diferentes países.

Leia mais: Ex-diplomata da Bélgica será julgado por assassinato de Patrice Lumumba

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano