A derrota da República Democrática do Congo para a Colômbia por 1 a 0, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, teve um personagem que chamou atenção na plateia: uma estátua de Patrice Lumumba.
Nas arquibancadas do estádio em Guadalajara, no México, Michel Kuka Mboladinga permaneceu de pé, imóvel e em silêncio durante toda a partida, repetindo um gesto que já o tornou conhecido entre torcedores do continente africano.
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Conhecido como “Lumumba Vea”, Mboladinga transformou sua presença nos estádios em uma homenagem permanente a Patrice Lumumba, líder da independência congolesa e primeiro chefe de governo do país após o fim do domínio colonial belga. Enquanto milhares de torcedores cantam, gritam e celebram durante as partidas, ele escolhe a imobilidade como forma de manifestação.
Vestido com terno e gravata, o torcedor reproduz a postura da estátua de Lumumba localizada em Kinshasa, capital da RD Congo. A performance atravessou fronteiras durante a Copa Africana de Nações (CAF) e agora ganhou projeção global com a participação da seleção congolesa no Mundial.
WE ARE READY 🇨🇩🐆🐆🐆
— LUMUMBA VEA 🇨🇩🐆 (@JumbaDrc) June 23, 2026
🙋🏾♂️ pic.twitter.com/m71maaUeZY
A homenagem que ultrapassa o futebol
Para parte dos congoleses, a presença de “Lumumba Vea” nas arquibancadas representa mais do que apoio esportivo. O gesto funciona como uma forma de manter viva a memória de uma figura associada à luta pela autodeterminação do país.
A participação do torcedor na Copa chegou a ficar ameaçada. Ele não conseguiu acompanhar a estreia da RD Congo contra Portugal, que terminou empatada em 1 a 1, por causa de restrições sanitárias ligadas aos protocolos adotados após um surto de ebola no país. Mboladinga precisou cumprir quarentena antes de viajar ao México e só conseguiu chegar a tempo da segunda rodada.
Sua chegada ao estádio em Guadalajara foi recebida com expectativa por torcedores congoleses, que já o conheciam por aparições anteriores em competições continentais.
Por vezes, Mboladinga leva uma de suas mãos a boca e a outra imita uma arma, gestos simbolizando a censura do assassinato de Patrice Lumumba.
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Quem foi Patrice Lumumba
A escolha de Patrice Lumumba como referência não é casual. Considerado uma das principais lideranças políticas da história congolesa, ele teve papel central no processo que levou a então colônia belga à independência, em 1960.
Lumumba assumiu o cargo de primeiro-ministro logo após a independência, mas permaneceu poucos meses no poder. Em meio às disputas da Guerra Fria, enfrentou oposição interna e externa. Preso, foi executado em janeiro de 1961, aos 35 anos.
Investigações e documentos divulgados ao longo das décadas apontaram o envolvimento de autoridades belgas e a participação de interesses ligados aos Estados Unidos em sua eliminação política. A justificativa apresentada à época era a suposta proximidade de Lumumba com a União Soviética.
Após sua morte, o corpo foi destruído para impedir a criação de um local de peregrinação política. A tentativa, porém, não apagou sua influência. Lumumba passou a ocupar um lugar de destaque na memória política africana e tornou-se referência para movimentos anticoloniais em diferentes países.
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