A Polícia Civil de Santa Catarina investiga a torcedora do Avaí, identificada como Ana Costa, que gritou frases racistas e xenofóbicas durante a partida contra o Remo, do Pará, pela 37ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B. O caso ocorreu no último sábado (15), no estádio da Ressacada, em Florianópolis (SC).
Em um vídeo que circula nas redes sociais, a torcedora do time catarinense aparece gritando em direção à torcida do Remo frases como: “Olha tua cor. Olha, pobre aqui não fica”.
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O caso é conduzido pela Delegacia de Repressão ao Racismo e Delitos de Intolerância (DRRDI), ligada à Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC). A corporação também apura a conduta de outros torcedores que teriam deferido ofensas racistas.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que instaurou procedimento administrativo por meio da 40ª Promotoria de Justiça da Capital para investigar um possível “crime de racismo em decorrência de suposta xenofobia”.
Especialista cobra punições mais efetivas
Em entrevista à Alma Preta, o fundador e diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, Marcelo Carvalho, afirmou que episódios como esse continuam ocorrendo porque parte dos torcedores se sente protegida pela impunidade. “O torcedor está se sentindo livre para ir para um estádio de futebol fazer insultos racistas”, apontou.
Segundo Carvalho, as punições aplicadas atualmente no futebol brasileiro não são suficientes para conter práticas discriminatórias e é necessário compreender como o racismo opera na modalidade. O especialista criticou medidas pontuais, como a Lei Vini Jr., que prevê a paralisação de partidas após manifestações racistas.
“A gente precisa entender o sistema, como o racismo opera no futebol brasileiro e, a partir disso, pensar em punições mais efetivas”, sugeriu.
Carvalho também reforçou que o Avaí precisa ser responsabilizado, já que o caso ocorreu dentro do estádio do clube.
“O Avaí precisa promover ações de combate ao racismo, educando e conscientizando os torcedores. Não é suficiente aguardar o que a justiça desportiva vai decidir, se vai punir ou não o clube”, afirmou.
O diretor destacou ainda a importância de criar ações preventivas no ambiente esportivo. “O racismo não vai acabar com essa pessoa presa. A gente precisa trabalhar muito a prevenção. Isso é responsabilidade dos clubes e da justiça desportiva”, completou.
Clubes e federações repudiam crime
Em nota, o Avaí declarou que não tolera atos de racismo e informou ter tomado medidas para identificar os envolvidos. O clube também anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, do acesso da torcedora a jogos e eventos.
O Clube do Remo também se manifestou, classificando o caso como “repugnante” e cobrando punição aos responsáveis. A agremiação afirmou que o episódio representa “uma clara manifestação de racismo e intolerância”.
“O racismo e a xenofobia são crimes e precisam de uma resposta à altura da gravidade dos fatos ocorridos”, apontou.
A Federação Paraense de Futebol (FPF) lamentou o ocorrido e disse ter acionado imediatamente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Federação Catarinense de Futebol (FCF).
A entidade informou ainda que os torcedores identificados “serão expulsos do quadro social do clube e terão seus dados encaminhados para responsabilização criminal”.