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Após críticas sobre Belém, chanceler alemão declara não ter encontrado ‘pão decente’ em Angola

Friedrich Merz volta a gerar reação internacional ao criticar alimento do país africanodurante cúpula em Luanda; fala ocorre dias após comentário controverso sobre Belém na COP30
O chanceler alemão Friedrich Merz discursa durante uma coletiva de imprensa na Cúpula de Líderes do G20, no Centro de Exposições Nasrec em Joanesburgo, em 22 de novembro de 2025.

O chanceler alemão Friedrich Merz discursa durante uma coletiva de imprensa na Cúpula de Líderes do G20, no Centro de Exposições Nasrec em Joanesburgo, em 22 de novembro de 2025.

— Ludovic Marin/AFP

26 de novembro de 2025

O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta terça-feira (25) que não encontrou “um pedaço de pão decente” durante visita a Angola. A declaração ocorreu em uma padaria em Hamburgo, um dia após ele participar da cúpula entre União Europeia e União Africana em Luanda.

Merz esteve em Luanda na segunda-feira (24) após participar da Cúpula do G20 na África do Sul. A agenda africana incluiu reuniões sobre paz, segurança, governança, multilateralismo, financiamento climático e medidas para aliviar a dívida de países em desenvolvimento.

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Durante a visita à padaria em Hamburgo, Merz afirmou que só percebe o quanto valoriza o pão alemão quando está no exterior e citou o café da manhã oferecido no hotel angolano, onde, segundo ele, não encontrou “um pedaço de pão decente”.

A observação circulou entre veículos europeus e africanos e foi interpretada como desrespeitosa por críticos, especialmente diante de um evento diplomático destinado a aprofundar relações entre os dois continentes.

Autoridades brasileiras já haviam criticado declarações anteriores

Esta é a segunda declaração do líder conservador alemão sobre países do Sul Global em uma semana. No dia 17 de novembro, Merz afirmou que jornalistas que o acompanharam na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), não quiseram permanecer na cidade e ficaram “satisfeitos” com o retorno à Alemanha. As falas motivaram reações de autoridades brasileiras.

O prefeito de Belém, Igor Normando (MDB), classificou as declarações anteriores de Merz como “arrogantes e preconceituosas”. O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), questionou: “Curioso ver quem ajudou a aquecer o planeta estranhar o calor da Amazônia”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu as observações sobre Belém e afirmou que Merz “devia ter ido num boteco no Pará, deveria ter dançado no Pará, deveria ter provado a culinária do Pará”. Lula disse que Berlim “não oferece 10% da qualidade que oferece o estado do Pará”.

Merz se reuniu com Lula durante o G20 na África do Sul e afirmou que não teve intenção de ofender os brasileiros, mas não apresentou pedido formal de desculpas.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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