As Forças Armadas do Benim ampliaram, nesta segunda-feira (8), as buscas por soldados envolvidos na tentativa de golpe que abalou o país no fim de semana e deixou mortos, segundo autoridades militares. Pelo menos uma dezena de suspeitos já tinha sido presa, e todos os reféns foram libertados, incluídos dois oficiais de alta patente capturados durante a ação.
O ataque, realizado no domingo (7), levou um grupo de militares a anunciar pela televisão que o presidente Patrice Talon havia sido deposto. Horas depois, o próprio Talon apareceu em rede nacional afirmando que a situação estava “completamente sob controle”.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Entre as vítimas fatais está a esposa do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Bertin Bada, morta durante os confrontos entre militares leais e golpistas na residência presidencial.
Embora prisões tenham sido efetuadas, autoridades afirmam não ter clareza sobre o total de envolvidos e admitem que vários militares fugiram para áreas rurais. “A busca continua”, disse uma fonte das Forças Armadas à Agence France-Presse (AFP).
O tenente-coronel Pascal Tigri, apontado como líder do levante, permanece foragido. Dois oficiais, o chefe do Exército, Abou Issa, e o coronel Faizou Gomina, foram tomados como reféns, mas libertados durante a madrugada.
Apoio externo e intervenção de países vizinhos
O Benim pediu ajuda urgente à Nigéria, que afirmou no domingo (7) à noite ter realizado ataques militares em Cotonou e enviado tropas. O bloco regional Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS) também anunciou apoio militar, com o envio de soldados de Gana, Costa do Marfim, Nigéria e Serra Leoa para ajudar o governo a “preservar a ordem constitucional”.
Uma reunião do ECOWAS marcada para esta segunda-feira em Abidjan foi cancelada. O bloco já havia ameaçado intervir durante o golpe no Níger em 2023, mas não agiu na ocasião.
A mobilização ocorre em meio a uma onda de rupturas políticas no oeste africano, após golpes militares bem-sucedidos em Níger, Burkina Faso, Mali, Guiné e Guiné-Bissau.
Em nota, o presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, demonstrou preocupação com a proliferação de golpes militares e tentativas de golpe em partes da região. Segundo declaração, tais ações ameaçam a estabilidade do continente, “ameaçam ganhos democráticos e encorajam atores militares a agir fora dos mandatos constitucionais”.
Youssouf aponta que tentativas de golpes, como aconteceu em Benim, corroem a confiança dos cidadãos nas instituições públicas e enfraquecem a autoridade do Estado, colocando em perigo a segurança coletiva.
Contexto político e reação da oposição
Patrice Talon, de 67 anos, deve deixar o poder em abril após dois mandatos, o máximo permitido pela constituição. Seu sucessor designado, o ministro das Finanças Romuald Wadagni, é considerado favorito para a eleição presidencial de abril.
O principal partido de oposição, Democratas, foi excluído da votação sob alegação de que seu candidato não tinha patrocinadores suficientes. Em comunicado, o partido disse que “rejeita qualquer tomada de poder pela força e condena veementemente esses atos que não honram nosso país”. O texto também afirmou que o evento “destaca a necessidade de todos os atores políticos em nosso país priorizarem o diálogo”.
O Benim, que enfrenta violência jihadista no norte, tem um histórico de golpes e tentativas de golpe desde sua independência da França em 1960. Talon, embora reconhecido por impulsionar o crescimento econômico, é acusado por críticos de autoritarismo em um país antes elogiado por seu dinamismo democrático.