Na segunda-feira (22), começou na Tunísia o julgamento da ativista antirracista Saadia Mosbah, que está na prisão há um ano e meio sob acusações de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. O tribunal na capital Tunis adiou a audiência para a sexta-feira (26), rejeitando a apelação da defesa de Mosbah por liberdade condicional.
Mosbah, de 65 anos, é uma defensora de imigrantes da África sub-saariana na Tunísia. A ativista foi uma das principais vozes na adoção de uma lei contra a discriminação racial no país, em 2018. Em novembro deste ano, ela foi finalista do principal prêmio de direitos humanos do mundo, o Martin Ennals, que apontou na premiação que a ativista é vítima de perseguição e falsas acusações criminais em seu país.
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Nas redes sociais, o filho de Mosbah demonstrou insatisfação com o julgamento em uma publicação na segunda (22): “A injustiça se repete, a dor cresce ainda mais e paciência é testada”. O grupo de ativismo antirracista Mnemty, liderado por Mosbah, declarou que nega “quaisquer acusações […] de financiamento de fontes suspeitas”.
Ainda na segunda (22), o advogado da ativista, Monia El Abed, disse que sua cliente sofre de doenças crônicas e não apresenta perigo à sociedade. “Demandamos que ela seja liberta em condicional e garantimos sua presença nas audiências seguintes”, disse. Outro membro de sua defesa, Chawki Tabib, apontou que Mosbah ultrapassou o período máximo de 14 meses em detenção antes do julgamento. “Quem corrigirá essa injustiça?”, disse.
Mosbah é acusada de enriquecimento ilícito, o que pode levar seis anos de prisão, além de lavagem de dinheiro, que pode gerar até dez anos de detenção, disse Abed à AFP,
Nove pessoas estão sendo julgadas no caso, sendo oito membros do grupo Mnemty, incluindo o filho de Mosbah — que ao final da audiência na segunda (22) pediu permissão para abraçar a mãe.
Esse não é o único caso de defensores de direitos humanos sendo julgados na Tunísia por apoiar e defender imigrantes irregulares no país. Desde 2021, quando o presidente da Tunísia, Kaïs Saïed, foi acusado de golpe pela oposição após dissolver o Parlamento e abrir caminho para controlar o Judiciário, oposicionistas e ativistas têm apontado a erosão de direitos e liberdades no país.