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Dignidade menstrual: projeto transforma roupa íntima absorvente em parte do uniforme escolar

Iniciativa criada na Colômbia inclui a calcinha menstrual à lista de itens escolares obrigatórios; na América Latina, uma em cada quatro meninas falta à escola durante o período menstrual por não ter acesso aos produtos adequados
Imagem mostra meninas em uma sala de aula. Fotografia faz parte do projeto The Period Uniform, criado pela empresa colombiana Somos Martina.

Imagem mostra meninas em uma sala de aula. Fotografia faz parte do projeto The Period Uniform, criado pela empresa colombiana Somos Martina.

— Divulgação

15 de fevereiro de 2026

Com o início do novo ano letivo, uma iniciativa na Colômbia desafia a desigualdade menstrual que impede muitas meninas de frequentarem a escola regularmente. A Somos Martina, empresa colombiana de cuidados íntimos sustentáveis, está integrando o cuidado menstrual ao uniforme escolar oficial.

Segundo a empresa, em toda a América Latina, uma em cada quatro meninas falta regularmente à escola durante o período menstrual porque não tem acesso a produtos menstruais. Isso está ligado a um estigma menstrual profundamente enraizado: a menstruação muitas vezes nem sequer é discutida em casa, o que dificulta que as meninas peçam apoio. Sem proteção, muitas delas permanecem longe do ambiente escolar para evitar vazamentos e a vergonha que vem com eles. A ausência recorrente afeta a educação e as oportunidades futuras.

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Os uniformes escolares, que são obrigatórios na Colômbia e em diversas partes do mundo, há muito tempo são utilizados para promover inclusão e igualdade na educação pública. Agora, o projeto The Period Uniform estende esse princípio ao cuidado menstrual. Em vez de distribuir produtos por meio de programas temporários e locais, que exigem logística separada, o modelo se apoia no sistema já existente de uniformes escolares, tornando o cuidado menstrual acessível de forma natural.

Lançada na Institución Educativa Mayor de Mosquera em janeiro, a iniciativa agora está em expansão para outras escolas, com o apoio da vice-ministra da Educação da Colômbia, Lucy Maritza Molina Acosta. “É fundamental falar sobre saúde menstrual na educação na Colômbia. E acredito que o cuidado menstrual deva ser discutido em todas as escolas”, afirma.

O princípio da iniciativa é simples: adicionar a calcinha menstrual à lista de itens escolares obrigatórios. O projeto busca quatro objetivos principais: normalizar a proteção menstrual, transformando-a em padrão; evitar o estigma, ao retirar das meninas o peso de iniciar a conversa, já que as escolas comunicam o requisito às famílias; funcionar em escala, ao se basear na infraestrutura e nos processos existentes dos uniformes escolares, que, uma vez estabelecidos, funcionam para qualquer instituição sem esforço adicional; e reduzir custos, já que a calcinha menstrual é mais acessível ao longo do tempo do que produtos menstruais descartáveis.

Como parte da iniciativa, a Somos Martina fornece calcinhas menstruais às escolas participantes por um preço comparável ao da roupa íntima convencional, além de acesso a informações e recursos sobre cuidado menstrual.

Para estimular o debate público, incentivar o governo a adotar o modelo e promover uma conversa em escala global, a empresa lançou uma campanha global de conscientização, não apenas na Colômbia, mas também em outros países. Ela inclui um site dedicado, com mais informações disponíveis em diferentes idiomas, um artigo editorial da jornalista colaboradora do The New York Times María F. Fitzgerald, além de um curta-metragem da diretora premiada Claudia Barral, que ilustra a realidade enfrentada pelas estudantes durante o período menstrual. A iniciativa foi criada em parceria com a agência Serviceplan Innovation.

Por que roupa íntima menstrual?

Ainda de acordo com informações da Somos Martina, especialistas concordam que a calcinha menstrual é a melhor escolha para meninas. Ela é não invasiva e funciona como a roupa íntima do dia a dia que elas já conhecem, além de ser mais confortável e eliminar a irritação da pele e os riscos à saúde associados a absorventes ou tampões.

Diferentemente dos produtos descartáveis, oferece até 12 horas de proteção, adequadas para longos dias escolares. Com vida útil de até três anos, a calcinha menstrual é significativamente mais acessível e ambientalmente sustentável do que as alternativas de uso único.

“Esta iniciativa está enraizada em nossa missão de lutar pela justiça menstrual. Apoiar as meninas durante sua primeira menstruação nos permite construir confiança e relacionamentos para toda a vida. Acreditamos que a calcinha menstrual é a melhor opção para nos reconectarmos com nossos corpos e cuidarmos do meio ambiente. Espero que ela se torne um padrão para todas as mulheres”, afirma Patricia Franco Reyes, CMO da Somos Martina.

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