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Justiça suspende remoção forçada de ocupação indígena em porto de Santarém (PA)

Decisão do TRF1 aponta nulidades processuais na ordem de desocupação da área portuária ocupada pelas etnias do Baixo Tapajós desde janeiro
Cartaz contra a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, em Santarém (PA).

Cartaz contra a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, em Santarém (PA).

— Reprodução/Citatb

18 de fevereiro de 2026

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília (DF), suspendeu a ordem da Justiça Federal em Santarém (PA), que determinou a desocupação forçada das vias de acesso ao complexo portuário da região. O local está ocupado pelo protesto indígena das etnias do Baixo Tapajós desde 22 de janeiro. 

A mobilização indígena, que tem o apoio de organizações da sociedade civil, tem mantido bloqueados os acessos rodoviários e vias públicas próximas às instalações da empresa norte-americana Cargill, local onde se concentra a ocupação. A articulação requer a derrubada do decreto presidencial que inclui hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Plano Nacional de Desestatização (PND), possibilitando a privatização de serviços de manutenção da navegabilidade.

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De início, a desocupação forçada havia sido solicitada à Justiça pela Cargill e pela Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (Amport). 

O recurso apresentado pelo MPF e pela Defensoria Pública da União (DPU) sustentou que a decisão pela remoção desconsiderou tentativas de solução consensual e ocorreu sem a participação obrigatória da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além de ampliar o risco de violência contra as comunidades originárias. 

O parecer do TRF1 destacou nulidades processuais, como a ausência de intimação prévia da Funai e do MPF. O órgão também apontou que as comunidades indígenas afetadas não foram citadas para integrar o processo, violando o devido processo legal.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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