Os povos indígenas do Baixo Tapajós ocuparam, na quinta-feira (22), o porto da empresa multinacional norte-americana Cargill, no oeste do Pará, contra a privatização das hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.
A inclusão dos locais no Programa Nacional de Desestatização (PND) foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em agosto de 2025. No entanto, lideranças indígenas informam que a medida foi validada sem o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e sem a realização de consulta livre, prévia e informada às comunidades.
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Segundo o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Citatb), o governo federal já iniciou os editais de licitação para as empresas realizarem a dragagem do Tapajós. O procedimento consiste na retirada de sedimentos no fundo do rio visando aumentar sua profundidade e largura.
“Essa ocupação é em defesa do nosso Rio Tapajós, contra a privatização, a dragagem, a especulação imobiliária e tantos retrocessos que temos enfrentado ao longo dos anos. Nossos direitos estão sendo violados. O rio é vida, é território, é história e não mercadoria”, declarou a entidade nas redes sociais.
Os movimentos recordam que, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), ocorrida em novembro de 2025, em Belém, o governo federal afirmou que haveria diálogo sobre os projetos na área. A articulação defende a revogação do decreto presidencial e a suspensão dos editais para a dragagem do Tapajós.