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Manifestação indígena denuncia privatização do rio Tapajós no Pará

Ato denuncia desestatização das hidrovias e ausência de consulta prévia às comunidades indígenas da região
Povos indígenas do Tapajós em manifestação no porto da Cargill, em Santarém (PA), no dia 22 de janeiro de 2026.

Povos indígenas do Tapajós em manifestação no porto da Cargill, em Santarém (PA), no dia 22 de janeiro de 2026.

— Reprodução/Instagram/Citatb

23 de janeiro de 2026

Os povos indígenas do Baixo Tapajós ocuparam, na quinta-feira (22), o porto da empresa multinacional norte-americana Cargill, no oeste do Pará, contra a privatização das hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. 

A inclusão dos locais no Programa Nacional de Desestatização (PND) foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em agosto de 2025. No entanto, lideranças indígenas informam que a medida foi validada sem o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e sem a realização de consulta livre, prévia e informada às comunidades. 

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Segundo o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Citatb), o governo federal já iniciou os editais de licitação para as empresas realizarem a dragagem do Tapajós. O procedimento consiste na retirada de sedimentos no fundo do rio visando aumentar sua profundidade e largura. 

“Essa ocupação é em defesa do nosso Rio Tapajós, contra a privatização, a dragagem, a especulação imobiliária e tantos retrocessos que temos enfrentado ao longo dos anos. Nossos direitos estão sendo violados. O rio é vida, é território, é história e não mercadoria”, declarou a entidade nas redes sociais. 

Os movimentos recordam que, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), ocorrida em novembro de 2025, em Belém, o governo federal afirmou que haveria diálogo sobre os projetos na área. A articulação defende a revogação do decreto presidencial e a suspensão dos editais para a dragagem do Tapajós. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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