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Ataque em terra indígena no Rio Grande do Sul deixa 1 pessoa morta

Segundo denúncia, o conflito na Terra Indígena Ventarra é incentivado por agentes externos com interesses fundiários
Homens indígenas na aldeia Apyterewa.

Homens indígenas na aldeia Apyterewa.

— Reprodução/ Bruno Peres/Agência Brasil

9 de março de 2026

Um ataque na Terra Indígena (TI) Ventarra, da etnia Kaingang, na cidade de Erebango (RS), resultou em uma morte e uma pessoa ferida, além de incêndios nas residências. A denúncia foi feita pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) nesta segunda-feira (9). 

O caso ocorreu no último sábado (7), quando havia apenas sete agentes da Força Nacional no território, de cerca de 772 hectares. Em comunicado, o conselho informou que o número foi insuficiente diante da dimensão da situação. 

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Equipes da Brigada Militar, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), ambulâncias do município e dos bombeiros foram deslocadas para prestar socorro às vítimas. Após o ocorrido, famílias indígenas relataram medo e profunda insegurança. 

Classificado pela entidade como “tragédia anunciada”, o episódio ocorre após um longo contexto de disputa territorial, iniciado em 2025, entre grupos internos com interesse no arrendamento de áreas para não indígenas e apoiados por agentes externos com interesses privados.

De acordo com o comunicado, tais agentes vêm estimulando e alimentando o conflito, fornecendo armas aos envolvidos. 

“O resultado dessa situação é devastador. Nos últimos meses, a comunidade já contabiliza três mortes, diversos feridos e dezenas de casas e veículos incendiados, deixando famílias inteiras em situação de vulnerabilidade extrema. Mulheres, crianças e idosos vivem sob permanente ameaça, muitos tendo que abandonar suas casas para proteger a própria vida”, diz trecho da denúncia.

O Cimi cobra do Ministério da Justiça, do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Polícia Federal (PF) a ampliação urgente da presença institucional no território, para garantir a proteção das famílias Kaingang. 

Em comunicado, a organização também requer uma investigação rigorosa sobre a atuação daqueles que estariam incentivando, financiando ou armando o conflito; além da adoção de mecanismos de mediação e pacificação, com a participação das próprias lideranças indígenas. 

“É inaceitável que comunidades indígenas sejam abandonadas à própria sorte, vivendo sob a lógica da violência, enquanto interesses externos disputam e se beneficiam de seus territórios. A omissão do Estado brasileiro diante dessa realidade não apenas agrava o conflito, como também coloca em risco a vida de dezenas de famílias Kaingang”.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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