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Mãe de vítima de feminicídio emociona audiência na Alesp

Deputada Paula Nunes, da Bancada Feminista do PSOL, propõe estado de emergência no combate à violência de gênero; 266 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado em 2025
Simone da Silva segura uma fotografia da filha Bruna Oliveira, que foi assassinada em São Paulo, em abril de 2025.

Simone da Silva segura uma fotografia da filha Bruna Oliveira, que foi assassinada em São Paulo, em abril de 2025.

— Rodrigo Costa/Alesp

27 de março de 2026

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) sediou nesta quinta-feira (25) a audiência pública “Mulheres Vivas”. O momento mais emocionante do encontro ficou por conta do relato de Simone da Silva, mãe de Bruna Oliveira, estudante de 28 anos assassinada em abril de 2025 enquanto voltava para casa na Zona Leste da capital paulista.

“Quando sepultei minha filha, tive a impressão que sepultei uma parte de mim. Eu sinto que meu coração tá amputado e é uma dor na alma que eu não desejo para mãe nenhuma”, disse Simone, que também destacou a luta da filha contra a desigualdade de gênero. 

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O evento, iniciativa da deputada Paula Nunes, da Bancada Feminista (PSOL-SP), reuniu especialistas, ativistas e familiares de vítimas para discutir políticas públicas voltadas à segurança das mulheres.

Leia mais: Brasil registra recorde de feminicídios; estado de SP lidera ranking de ocorrências

Paula Nunes  abriu a audiência destacando a gravidade do cenário atual.

 “Não tem um único dia em que liguemos o noticiário e não tenha notícia de uma mulher que foi assassinada simplesmente por ser mulher, de que sofreu violência doméstica ou que foi estuprada”, afirmou.

Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) apontam 266 mulheres vítimas de feminicídio no estado em 2025.

Diante dos números, a parlamentar apresentou o projeto de decreto legislativo que decreta estado de emergência por “epidemia de feminicídios”. O PDL 43/2025, criado por Paula e assinado por outras dez deputadas, reconhece a gravidade da situação enfrentada pelas mulheres e garante mais recursos para políticas públicas de defesa e segurança, além da ampliação da rede de acolhimento de vítimas. O texto ainda tramita na Alesp.

Plataformas lucram com misoginia

Durante a audiência, a pesquisadora do NetLab/UFRJ, Luciane Belin, alertou para o papel das plataformas digitais na proliferação do ódio contra as mulheres. Estudo do núcleo identificou canais no YouTube que compartilham conteúdos misóginos e são monetizados pela plataforma.

“Precisa ter uma regulamentação das plataformas para que elas também sejam consideradas responsáveis por esses conteúdos, uma vez que também estão ganhando dinheiro”, afirmou Luciane. 

A deputada Paula Nunes reforçou a defesa da regulamentação das plataformas digitais como medida necessária.


Leia mais: Deputados de direita querem barrar inclusão de misoginia na Lei do Racismo

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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