O Senado aprovou, na noite da terça-feira (24), o projeto de lei que inclui a misoginia na Lei do Racismo (Lei nº 7.716/1989) e passa a tipificar a prática como crime de discriminação. O texto segue agora para análise da Câmara dos Deputados, onde parlamentares da oposição já indicaram, por meio das redes sociais, que pretendem atuar para barrar a proposta.
De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PDT-MA), o texto foi aprovado por 67 votos e define misoginia como a conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Deputados do campo da direita se manifestaram contra o projeto. Em publicação no X (antigo Twitter), Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou a proposta como “aberração” e “inacreditável” e afirmou que irá atuar para derrubá-la.
Inacreditável é a palavra…Amanhã começa o trabalho pra derrubar essa aberração que foi aprovada hoje no Senado.
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) March 25, 2026
A deputada Bia Kicis (PL-DF) também declarou que trabalhará contra o projeto. Segundo ela, a proposta “é uma divisão de ódio entre homens e mulheres acelerada com sucesso” e criticou setores da esquerda.
O Senado aprovou hoje a equiparação da misoginia ao crime de racismo. O projeto define misoginia como: “conduta que manifeste ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia do gênero masculino”. Projeto de divisão e ódio entre homens e mulheres acelerado com…
— Bia Kicis (@Biakicis) March 25, 2026
Em outra publicação, o deputado Mario Frias (PL-SP) afirmou que o texto representa uma tentativa de “criminalizar o homem pelo simples fato de ser homem” e disse que não ficará em silêncio “diante dessa inversão de valores”.
Acaba de passar no Senado o projeto que criminaliza a chamada "misoginia digital".
— MarioFrias (@mfriasoficial) March 24, 2026
Mas não se enganem com nomes bonitos. Se trata de uma mordaça ideológica e da destruição da presunção de inocência.
Ao equiparar qualquer tipo de crítica, postura firme ou simples…
Em dezembro de 2025, o projeto havia sido aprovado por 13 votos a dois na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em decisão terminativa, o que permitiria o envio direto à Câmara dos Deputados. No entanto, houve recurso para que a proposta fosse analisada pelo Plenário.