Apesar de representar mais da metade dos brasileiros, a população negra segue subrepresentada nos cargos do judiciário brasileiro, onde apenas 27,04% das posições são ocupadas por pessoas pretas e pardas.
As informações, levantadas pela Alma Preta, são do Painel de Monitoramento Justiça Racial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), atualizado na última terça-feira (31).
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Em números gerais, de 301,8 mil pessoas, 81,6 mil (14,43%) são negras. A média de brancos equivale a 72,96% do total.
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Considerando os cargos de juízes, desembargadores e ministros das varas estaduais, o percentual fica ainda mais baixo, com somente 14,48% dos cargos ocupados por negros.
Nas instâncias de segundo grau e tribunais superiores, apenas 10,7% dos juízes são negros, enquanto brancos somaram 85,4% e amarelos, 1,6%. Já nas cortes de primeiro grau, o percentual de negros tem um leve aumento, totalizando 15,2%.
A disparidade fica visível quando se observa a taxa de magistrados para cada 100 mil habitantes, que registrou 18,68 para brancos e 2,44 para negros.
O painel também analisa o perfil dos servidores do judiciário, que totaliza 282,8 mil postos ocupados. Destes, cerca de 78,8 mil (27,89%) são pessoas negras. Só 12,2 mil dos 48,5 mil servidores em cargo de chefia são negros.
O CNJ ainda detalha dados sobre as instâncias da Justiça Federal, com índices ainda menores do que as varas estaduais. A maior diferença foi identificada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), com uma taxa de 2,55 para magistrados brancos e de 0,17 para negros.
Os dados de 2026 não apresentam evolução significativa em relação ao registrado há dois anos. Segundo o Diagnóstico Étnico-Racial do Poder Judiciário do Conselho, em 2024, o percentual de pessoas negras era de 15% para desembargadores, juízes e ministros e de 30% para servidores e servidoras.
À época, o diagnóstico apontou que a população negra era maioria apenas nos cargos de estágio no serviço público, somando 41% do total.