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Mais de 85% dos juízes de tribunais superiores são brancos

Painel do CNJ indica que, entre juízes, desembargadores e ministros, apenas 14,43% são negros
Cerimônia de posse de juízes aprovados no 191º Concurso de Ingresso na Magistratura do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), em setembro de 2025.

Cerimônia de posse de juízes aprovados no 191º Concurso de Ingresso na Magistratura do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), em setembro de 2025.

— Reprodução/TJSP

2 de abril de 2026

Apesar de representar mais da metade dos brasileiros, a população negra segue subrepresentada nos cargos do judiciário brasileiro, onde apenas 27,04% das posições são ocupadas por pessoas pretas e pardas. 

As informações, levantadas pela Alma Preta, são do Painel de Monitoramento Justiça Racial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), atualizado na última terça-feira (31). 

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Em números gerais, de 301,8 mil pessoas, 81,6 mil (14,43%) são negras. A média de brancos equivale a 72,96% do total.

Leia mais: Em sete anos, apenas 3,5% dos juízes tomaram posse via cotas raciais

Considerando os cargos de juízes, desembargadores e ministros das varas estaduais, o percentual fica ainda mais baixo, com somente 14,48% dos cargos ocupados por negros. 

Nas instâncias de segundo grau e tribunais superiores, apenas 10,7% dos juízes são negros, enquanto brancos somaram 85,4% e amarelos, 1,6%. Já nas cortes de primeiro grau, o percentual de negros tem um leve aumento, totalizando 15,2%.

A disparidade fica visível quando se observa a taxa de magistrados para cada 100 mil habitantes, que registrou 18,68 para brancos e 2,44 para negros. 

O painel também analisa o perfil dos servidores do judiciário, que totaliza 282,8 mil postos ocupados. Destes, cerca de 78,8 mil (27,89%) são pessoas negras. Só 12,2 mil dos 48,5 mil servidores em cargo de chefia são negros. 

O CNJ ainda detalha dados sobre as instâncias da Justiça Federal, com índices ainda menores do que as varas estaduais. A maior diferença foi identificada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), com uma taxa de 2,55 para magistrados brancos e de 0,17 para negros. 

Os dados de 2026 não apresentam evolução significativa em relação ao registrado há dois anos. Segundo o Diagnóstico Étnico-Racial do Poder Judiciário do Conselho, em 2024, o percentual de pessoas negras era de 15% para desembargadores, juízes e ministros e de 30% para servidores e servidoras. 

À época, o diagnóstico apontou que a população negra era maioria apenas nos cargos de estágio no serviço público, somando 41% do total. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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